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Análise aponta riscos na decisão do Federal Reserve de manter taxa de juros

Decisão do Fed de manter taxa de juros inalterada em meio à inflação alta gera debates sobre riscos econômicos e possíveis novos aumentos em dezembro.

Redação•01 de nov. de 2026, 08:30
Análise aponta riscos na decisão do Federal Reserve de manter taxa de juros
Imagem: site

Análise aponta riscos na decisão do Federal Reserve de manter taxa de juros

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A decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de manter a taxa de juros inalterada em reunião realizada na quarta-feira (28) gera debates sobre possíveis riscos para a economia do país. Embora amplamente esperada por analistas e precificada pelo mercado com 91% de probabilidade segundo a ferramenta FedWatch da CME, a medida ocorre em um cenário em que a inflação permanece em patamares elevados e o custo de vida destaca-se como a principal preocupação dos eleitores para as eleições de meio de mandato.

Os preços ao consumidor registraram alta de 3,7% nos últimos 12 meses, situando o indicador preferido do Fed 50% acima da meta estabelecida. Diante desse quadro, críticos apontam que a autoridade monetária pode estar repetindo o erro de 2021, quando classificou a inflação como um fenômeno estritamente transitório impulsionado por choques de oferta ligados à guerra entre Rússia e Ucrânia e a problemas nas cadeias de suprimentos. Naquela ocasião, a dinâmica inflacionária resultou na maior crise em uma geração, com alta anual de até 9,1%, forçando o Fed a elevar os juros de forma drástica e histórica.

Fatores que pesaram na manutenção dos juros

A decisão de não alterar a política monetária envolveu a ponderação de diversos indicadores econômicos e políticos:

  • Mercado de trabalho: Os Estados Unidos criaram apenas 29 mil vagas em setembro, ficando bem abaixo das expectativas, além de revisões que apontaram 60 mil postos a menos nos dois meses anteriores. Embora a taxa de desemprego se mantenha em 4,2%, economistas caracterizam o ambiente atual como um mercado de "poucas contratações e poucas demissões".
  • Mercados financeiros: Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram para patamares elevados em várias décadas e, embora tenham recuado para os níveis de meados de setembro, continuam a exercer um efeito semelhante ao de uma taxa básica de juros, contribuindo para desacelerar a economia.
  • Momento político: Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Federal Reserve de Minneapolis, apontou que a instituição pode ter hesitado em elevar os juros para se distanciar de críticas do presidente Donald Trump diante da proximidade das eleições.

Riscos de pressões inflacionárias e novas altas

Especialistas alertam que o adiamento no combate à inflação pode obrigar o banco central americano a adotar um tratamento de choque em dezembro, possivelmente elevando as taxas em 0,5 ponto percentual para compensar o tempo perdido. Sinais de propagação da inflação aparecem em custos de moradia e aluguéis, além de despesas com serviços e investimentos em inteligência artificial e centros de dados.

Além disso, o cenário internacional permanece incerto. Declarações de Donald Trump indicam que os Estados Unidos e Israel podem intensificar o conflito contra o Irã após as eleições, o que pressionaria ainda mais os preços do petróleo. Por outro lado, o governo mencionou um cessar-fogo energético envolvendo a Rússia que tem impulsionado a produção de diesel. No entanto, o prolongado encarecimento da energia eleva produtos e serviços em toda a economia, deixando o Fed em alerta para os próximos passos da política monetária.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/analise-o-federal-reserve-cometeu-um-erro-ao-manter-a-taxa-de-juros/

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