A Casa Rosada anunciou nesta sexta-feira, 30, o aumento dos subsídios reservados aos transportes com o objetivo de amenizar o descontentamento das empresas de ônibus de jurisdição nacional, que operam trajetos entre a capital federal argentina e a província de Buenos Aires. A nova medida destina mais verbas para o setor para evitar reajustes nas passagens.
De acordo com o jornal argentino Clarín, a decisão do governo visa congelar a tarifa para prevenir um encarecimento no valor e uma queda ainda mais acentuada na utilização do transporte, o que provocaria menor receita para as empresas. Desde dezembro de 2023, período em que Javier Milei assumiu a presidência, o preço das passagens acumulou uma alta de 1.513%, conforme dados do observatório de tarifas e subsídios IIEP (UBA-CONICET).
O Ministério da Economia não divulgou informações detalhadas sobre o montante total dos novos subsídios. Informações do IIEP indicam que os recursos destinados ao transporte nacional alcançaram 679 bilhões de pesos, equivalentes a R$ 2,38 bilhões na cotação atual, no período entre janeiro e 19 de outubro.
Detalhes da reunião e tarifas congeladas
As autoridades apresentaram os detalhes da medida durante uma reunião realizada à tarde, na Secretaria de Transportes, com a participação de representantes das 104 linhas de âmbito nacional. Na semana anterior, o titular da pasta, Mariano Plencovich, havia atualizado a estrutura de custos com valores considerados insuficientes pelas empresas de ônibus, embora o governo tenha recusado um reajuste tarifário maior.
A tarifa dos ônibus de jurisdição nacional permanece congelada desde julho, oscilando entre 742 pesos e 1.337 pesos, o equivalente a valores entre R$ 2,60 e R$ 4,70. Enquanto isso, Buenos Aires promove reajustes em suas esferas: a cidade anunciou um acréscimo de 3,9% a partir de novembro, com piso de 956 pesos, e a província aplicou um reajuste de 5%, elevando a tarifa mínima para 1.263 pesos.
Crise histórica no setor e inflação
O sistema de transporte por ônibus enfrenta uma crise que já dura dez anos. O cenário é reflexo da retirada de subsídios nas três esferas administrativas — com aumentos de passagens acima da inflação e dos salários —, além da estagnação da atividade e alterações nos padrões de mobilidade da população, impulsionadas pelo recorde de vendas de motocicletas e pela expansão dos aplicativos de transporte. Como resultado, o setor perdeu um terço de seus passageiros.
O ministro da Economia, Luis Caputo, mantém o monitoramento da inflação. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta mensal de 1,9%, superando o índice de 1,7% contabilizado em agosto. Analistas econômicos projetam uma alta entre 1,7% e 2% para o mês de outubro. Dados da consultoria EcoGo apontam que o transporte público compõe 3,35% da cesta de consumo empregada no cálculo do IPC.
