A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma reviravolta nas expectativas do mercado financeiro, que previa a vitória do senador Flávio Bolsonaro e sua agenda de reformas econômicas. O otimismo prévio havia levado o Ibovespa a um recorde de 206.912 pontos após o primeiro turno, impulsionado por investimentos estrangeiros de quase 19 bilhões de reais. Com a vitória de Lula, investidores estrangeiros e gestores iniciaram uma estratégia defensiva diante das incertezas fiscais.
Na noite do segundo turno, em 25 de outubro, o fundo de índice EWZ, negociado em Nova York, despencou cerca de 20%. No dia seguinte, o dólar registrou alta de quase 11%, cotado a 5,50 reais, enquanto o Ibovespa recuou 16% até as 11h10. Os juros futuros também dispararam, com contratos para janeiro de 2031 subindo de 2,61% para 15,25%.
Impactos na economia e na renda fixa
Especialistas apontam que o modelo econômico do PT é amplamente conhecido após dezoito anos no poder. A expectativa é de que o governo adote medidas paliativas de controle de gastos, consideradas insuficientes para conter a expansão da dívida pública. Essa dinâmica tende a pressionar a inflação e dificultar o trabalho do Banco Central na redução da taxa de juros.
Diante desse cenário, a renda fixa ganha destaque nas carteiras:
Fatores externos, como a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve — sob a presidência de Kevin Warsh —, também pressionam o Banco Central brasileiro a manter a taxa Selic em patamares elevados para reter capital estrangeiro.
Recomendações para a renda variável
No segmento de renda variável, a recomendação é de cautela rigorosa. Analistas sugerem foco em empresas com boa geração de caixa e que compõem o Ibovespa. Setores defensivos e resilientes ganham preferência:
Por outro lado, o varejo e as construtoras devem enfrentar forte pressão devido aos juros altos e ao endividamento das famílias. Projeções de instituições como o Morgan Stanley e a XP indicam que o Ibovespa e o câmbio podem sofrer impactos severos caso a política fiscal não seja alterada substancialmente nos próximos anos.
