Após vencer a eleição presidencial e conquistar um quarto mandato inédito no país por meio de eleições diretas, o presidente Lula enfrenta um cenário desafiador para os próximos quatro anos. No domingo 25, o petista recebeu 64.256.232 votos, superando o senador Flávio Bolsonaro, que alcançou 59.826.041 votos. O resultado consolidou uma virada histórica na redemocratização brasileira, garantindo ao presidente de 81 anos — que completou a idade no dia 27 — uma margem de 4,4 milhões de votos.
O país sai das urnas dividido e marcado pela polarização. Entre os principais obstáculos para o novo governo estão o avanço do crime organizado, a necessidade de negociar com um Congresso com bancadas fortalecidas à direita e um cenário econômico complexo. O período entre 2023 e 2026 registrou um salto na dívida pública brasileira, que foi de 72% para 83% do PIB, totalizando 11 trilhões de reais. A situação pressionou a inflação e manteve os juros elevados pelo Banco Central, aumentando o endividamento de famílias e empresas.
Durante a campanha, medidas de incentivo avaliadas entre 250 bilhões e 400 bilhões de reais — incluindo pelo menos 50 bilhões de reais sem fonte de custeio no Orçamento de 2027 — impõem a necessidade de um ajuste fiscal pela futura administração. Enquanto o mercado reagiu inicialmente com queda na bolsa e alta do dólar e dos juros futuros, aliados do governo destacam o recuo do déficit primário de 2% do PIB em 2023 para uma previsão de 0,4% neste ano, embora críticos apontem despesas mantidas fora da contabilidade oficial.
Para garantir a governabilidade, Lula precisará lidar com o Congresso dominado pelo PL nas maiores bancadas da Câmara e do Senado. O presidente articula apoios para a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado, buscando aprovar propostas como a PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério específico para a área. O diálogo também deve ser estendido a partidos de centro para ampliar a base de apoio político.
A vitória de Lula foi impulsionada por uma forte mobilização popular espontânea e de movimentos da sociedade civil, além do engajamento digital e de lideranças como o vice Geraldo Alckmin (PSB), o deputado André Janones (Rede-MG), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador Camilo Santana. Em contrapartida, após o resultado, Flávio Bolsonaro deixou o país rumo a Miami, nos Estados Unidos, e divulgou manifesto com alegações de fraude eleitoral.
