A forte turbulência registrada nos mercados financeiros nesta segunda-feira (26), impulsionada pela reação negativa dos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou perdas expressivas na bolsa brasileira e atingiu o patrimônio dos mais ricos do país.
O Ibovespa, principal índice da B3, recuou mais de 10% nos primeiros minutos de negociação, acionando o mecanismo de circuit breaker que interrompe temporariamente as operações. Ao final do pregão, o índice acumulou uma queda de 13,88%, fechando aos 176.608 pontos. Entre as maiores baixas do dia estiveram a Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). No setor bancário, o Banco do Brasil caiu 27,31%, o BTG Pactual recuou 24,83%, as ações preferenciais do Bradesco caíram 21,70% (e as ordinárias 20,65%), e o Itaú Unibanco encerrou em baixa de 13,66%. O dólar também registrou forte alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027.
Com o tombo generalizado, os dez brasileiros que integram a lista das 500 pessoas mais ricas do mundo perderam juntos US$ 14 bilhões (cerca de R$ 75,6 bilhões) em um único dia, conforme dados do Índice de Bilionários da Bloomberg. O montante representa a maior perda diária conjunta desse grupo desde a criação do levantamento, em 2012. A desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para acentuar a redução patrimonial quando convertida para a moeda americana.
Bilionários do setor bancário entre os mais afetados
Os executivos e acionistas ligados ao setor financeiro figuraram entre os principais atingidos pela desvalorização:
- André Esteves: O fundador e chairman do BTG Pactual, de 58 anos, viu sua fortuna encolher US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões), o equivalente a cerca de 24% de seu patrimônio, estimado em US$ 12 bilhões (R$ 64,8 bilhões).
- David Vélez: O fundador e controlador da Nu Holdings (Nubank), de 45 anos, registrou perda de aproximadamente US$ 2,3 bilhões (R$ 12,4 bilhões). Embora colombiano, ele concentra os principais negócios do banco digital no Brasil.
- Irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles: Acionistas do Itaú Unibanco, registraram perdas combinadas de cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,21 bilhões).
Somados, os quatro bilionários do setor bancário tiveram cerca de 16% de suas fortunas reduzidas em um único dia, com patrimônio conjunto passando a US$ 45,6 bilhões (R$ 246,38 bilhões).
Família Moreira Salles também registra perdas
Considerada a família mais rica do Brasil, o clã Moreira Salles possui investimentos em diferentes frentes. Enquanto Pedro (67 anos) e Fernando (80 anos) mantêm participações no Itaú Unibanco, João e Walter venderam suas ações da instituição financeira em 2022 e mantêm investimentos voltados a uma empresa privada de mineração e à Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.
Apesar de não possuírem mais ligação acionária direta com o banco, João e Walter — conhecidos pelo apoio ao presidente Lula — também foram impactados pela instabilidade do mercado e perderam, juntos, cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,48 bilhões), segundo o levantamento da Bloomberg.
