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Economia

Choque no mercado pós-eleições turva perspectivas para crédito mais barato

A queda acentuada do mercado financeiro brasileiro após as eleições turva as perspectivas para juros e crédito mais barato.

Redação•03 de nov. de 2026, 09:30
Choque no mercado pós-eleições turva perspectivas para crédito mais barato
Imagem: site

Choque no mercado pós-eleições turva perspectivas para crédito mais barato

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A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva turvou as perspectivas de crédito mais barato. A situação coloca o Banco Central na posição de ponderar os riscos de inflação frente aos custos de financiamento elevados. Os diretores da autarquia iniciam uma reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), com a decisão servindo de teste para avaliar o impacto eleitoral na taxa básica de juros.

Nas últimas cinco reuniões, o comitê reduziu a Selic em 25 pontos-base em cada encontro. Uma pesquisa da Reuters indicou que 33 dos 48 economistas consultados esperavam que o Banco Central mantivesse a taxa básica em 13,75% ao ano, com previsões medianas apontando a permanência nesse patamar até o segundo trimestre de 2027.

Para os próximos quatro anos do governo Lula, convencer os investidores de que é possível manter as finanças públicas sob controle enquanto protege os gastos sociais será essencial para reduzir os custos de financiamento. Um fracasso nessa frente pode manter o crédito caro por mais tempo e dificultar o apoio ao crescimento econômico.

Repercussão no mercado financeiro

Na semana anterior, o real registrou queda de 8,5% em relação ao dólar americano, enquanto o índice Bovespa recuou cerca de 18%. O movimento ocorreu após a vitória de Lula contrariar as apostas em um triunfo do candidato de direita Flávio Bolsonaro (PL), cujas expectativas haviam gerado alta anterior com a esperança de um aperto fiscal.

Especialistas apontam diferentes visões sobre os rumos econômicos:

  • Carlos Carranza, gestor de fundos de dívida de mercados emergentes da M&G Investments, avalia que a mensagem do Banco Central será mais importante do que a decisão numérica sobre as taxas. Ele destacou que reduzir a Selic sem reconhecer os riscos da desvalorização do real seria prejudicial, embora não espere tal postura do Copom. Para ele, a inflação contida e a incerteza fiscal representam os maiores obstáculos para a queda dos custos de financiamento.
  • Petar Atanasov, co-head de pesquisa e estratégia soberana da Gramercy Funds Management, avalia que ainda há margem para ajuste fiscal sob a gestão de Lula, mas projeta um ritmo mais lento do que o esperado para o cenário anterior com Flávio Bolsonaro.
  • Antonina Tarassiouk, diretora de análise econômica internacional da Reams Asset Management, prevê uma pausa e aponta que a eleição tornou o cenário de inflação mais desafiador, especialmente com o petróleo acima de US$ 100 o barril. Ela aponta que revisões para baixo na previsão de crescimento para 2027 serão determinantes para a retomada da flexibilização pelo BC.
  • Liam Peach, economista sênior de mercados emergentes da Capital Economics, calcula que a desvalorização cambial pós-eleitoral pode adicionar 0,3 ponto percentual à inflação geral em um período de seis meses. Ele projeta a suspensão dos cortes nas taxas, e não a reversão, destacando que o aumento nos rendimentos dos títulos ameaça restringir o financiamento, agravar os problemas fiscais e aprofundar a desaceleração do PIB.

Indicadores econômicos e inflação

A inflação brasileira acumulou alta de 4,62% no ano até meados de outubro. No campo fiscal, os gastos do governo com juros da dívida pública alcançaram 9% do PIB no ano até setembro, atingindo o maior patamar desde janeiro de 2016.

Dados do Banco Central divulgados indicam que a dívida das famílias chegou a um patamar recorde de 50,1% da renda anual, ao passo que os pagamentos consumiram 29% da renda, também estabelecendo um recorde.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/choque-no-mercado-apos-eleicoes-turva-perspectivas-para-credito-mais-barato/

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