O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês de setembro, conforme divulgado pelo Banco Central (BC). O resultado representa uma melhora em relação ao saldo negativo de R$ 17,5 bilhões contabilizado no mesmo mês do ano anterior.
O conceito de déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas arrecadadas com tributos e impostos, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública. O levantamento abrange o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Em setembro, o desempenho das contas públicas foi dividido da seguinte forma:
- Governo federal: saldo positivo de R$ 3,5 bilhões.
- Estados e municípios: saldo deficitário de R$ 5,6 bilhões.
- Empresas estatais: déficit de R$ 3,4 bilhões.
Parcial do ano e meta fiscal
No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, as contas públicas acumulam um déficit primário de R$ 94,3 bilhões, o que equivale a 0,93% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB), apontando uma piora.
Apenas no âmbito do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 93,6 bilhões na parcial deste ano, ante um déficit de R$ 99,6 bilhões registrado nos primeiros nove meses de 2025, segundo o BC.
Para o ano corrente, a meta estipulada é de um saldo negativo de 0,25% do PIB, correspondendo a cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que a meta seja considerada formalmente cumprida caso o governo alcance saldo zero ou um superávit de até R$ 68,6 bilhões. Além disso, a regra autoriza a exclusão de R$ 67,3 bilhões em despesas do cálculo, como gastos com precatórios, defesa e educação.
Resultado nominal e juros
Quando os juros da dívida pública são incorporados ao cálculo — formato conhecido como resultado nominal —, o setor público registrou um déficit de R$ 113 bilhões em setembro. No acumulado de 12 meses até setembro, o saldo negativo atingiu R$ 1,28 trilhão, ou 9,51% do PIB.
O resultado nominal sofre influência direta do desempenho mensal das contas, das operações do BC no mercado de câmbio e da taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente fixada em 13,75% ao ano. De acordo com o Banco Central, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,2 trilhão (8,99% do PIB) no período de 12 meses encerrado em setembro.
Dívida pública
O endividamento do setor público consolidado manteve-se estável em 82,9% do PIB em setembro, o que representa R$ 11,11 trilhões. O índice atingiu o maior patamar desde março de 2021, quando estava em 85,1% do PIB, configurando o nível mais alto em mais de cinco anos e meio. No atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida acumula alta de 11,2 pontos percentuais.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza um critério internacional incluindo os títulos públicos na carteira do BC, o endividamento brasileiro alcançou 95,2% do PIB em setembro. O patamar está acima da média de nações emergentes, países da América do Sul e da Zona do Euro.
Para conter o avanço do endividamento, o governo aprovou em 2023 o arcabouço fiscal para substituir o teto de gastos. No entanto, analistas apontam a necessidade de cortes robustos de despesas, e a equipe econômica sinaliza com novas medidas para a próxima gestão, com início em 2027.
