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Economia

Crise climática exige que grandes marcas mudem estratégias de mercado

Estudo apresentado na COP30 aponta que marcas globais precisam priorizar a adaptação à crise climática, alterando produtos, estratégias de venda e comunicação.

Redação•29 de out. de 2026, 16:30
Crise climática exige que grandes marcas mudem estratégias de mercado
Imagem: site

Crise climática exige que grandes marcas mudem estratégias de mercado

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A crise climática está transformando a atuação das grandes marcas, exigindo uma transição que vai além da tradicional mitigação de emissões e foco em metas de longo prazo, passando a priorizar a adaptação. A avaliação foi apresentada pela pesquisadora e cofundadora da Talk Inc, Carla Mayumi, durante a COP30 realizada em Belém.

Segundo os dados apresentados por Carla com base no estudo "Fora da Estação", 62% dos brasileiros afirmam que a mudança climática impacta fortemente suas comunidades. Além disso, uma pesquisa da Talk em parceria com um instituto de clima revelou que 33% dos entrevistados relataram problemas cardíacos ou de pressão associados ao calor extremo para si ou familiares diretos, enquanto 40% mencionaram problemas respiratórios gerados por poluição ou fumaça. O impacto econômico também é expressivo: estimativas da Organização Internacional do Trabalho apontam R$ 6,8 bilhões em horas não trabalhadas no Brasil devido a afastamentos provocados pelo calor, montante equivalente a cerca de 1% do PIB.

Impactos nas cadeias produtivas e finanças

Os reflexos da crise climática já atingem diretamente o campo e os preços ao consumidor. Entre 2023 e 2024, chuvas irregulares e secas na África Ocidental prejudicaram safras de cacau em países como Gana, fazendo o preço da matéria-prima dobrar e levando fabricantes a aumentarem valores ou reduzirem o teor de cacau nos produtos. No setor financeiro, os seguros agrícolas paramétricos — que realizam pagamentos automáticos ao atingir limites contratuais de temperatura ou volume de chuvas — dobraram de tamanho em um ano no Brasil, segundo dados da FGV Agro. Na alta gastronomia, o restaurante Tuju, em São Paulo, substituiu o cardápio tradicional pelas quatro estações por menus guiados pelo regime de chuvas: Umidade, Chuva, Vendaval e Seca.

Novos produtos e o ponto de venda como refúgio

No comportamento de consumo, o frescor e o conforto térmico ganharam destaque. A moda adaptou coleções para comercializar peças leves em novas regiões, e marcas como a Ricca lançaram sprays corporais refrescantes. Na Coreia do Sul, a rede Olive Young registrou em julho de 2026 aumentos expressivos nas buscas por produtos refrescantes e de controle de oleosidade em comparação ao mesmo período de 2025. No Japão, o calor extremo levou o governo a estimular abrigos oficiais contra o calor, com cerca de 1.200 lojas designadas para essa função, além de inovações como o desenvolvimento de bebidas semicongeladas para baixar a temperatura corporal.

A comunicação e o marketing também incorporaram o clima como gatilho de mídia, com campanhas ativadas por temperatura na Europa e no Paraguai, além de pausas para hidratação na Copa do Mundo de 2026. Soluções de baixa tecnologia, como a premiada arquitetura bioclimática da Casa de Mainha, em Pernambuco, demonstram que a adaptação pode ocorrer com elementos simples de ventilação, reforçando que o foco das marcas deve estar em compreender as novas rotinas e necessidades dos consumidores diante da realidade climática.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/valor-de-marca/crise-climatica-exige-mudanca-na-estrategia-das-grandes-marcas/

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