O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) tomou a decisão unânime, nesta quarta-feira (4), de manter a taxa básica de juros da economia brasileira em 13,75% ao ano. Com essa medida, o Copom interrompe o ciclo de cortes nos juros básicos que havia sido iniciado em março do mesmo ano.
De acordo com o colegiado, a alta nas expectativas de inflação e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica exigem serenidade na condução da política monetária. O comitê pontuou que a escolha é compatível com a estratégia de buscar a convergência da inflação para o patamar da meta no horizonte relevante. O comunicado também destaca que, sem prejudicar o objetivo fundamental de garantir a estabilidade de preços, a medida visa suavizar flutuações no nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
O Banco Central apontou que o aumento significativo de incertezas no cenário base, as expectativas de inflação elevadas e a desaceleração mais forte da economia doméstica geram um ambiente desafiador. A taxa básica de juros permanece como o principal instrumento do BC para conter pressões inflacionárias, impactando sobretudo a parcela mais pobre da população. O Copom reforçou que monitora com atenção a desancoragem das expectativas inflacionárias de longo prazo, que encarecem o custo de desinflação.
Com a taxa Selic fixada em 13,75% ao ano, o Brasil lidera um ranking composto por 40 países, elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence. Descontando a inflação estimada para os próximos 12 meses, os juros reais brasileiros alcançam 8,45% ao ano, ficando à frente da Rússia, que registra 6,79% ao ano.
Cenários externo e doméstico
No âmbito externo, a avaliação do Copom é de que o ambiente se tornou mais adverso devido ao prolongamento de conflitos no Oriente Médio, que afetam os preços do petróleo e derivados, além da política monetária mais restritiva em economias avançadas. Esses fatores exigem cautela de países emergentes como o Brasil em meio à volatilidade de ativos e commodities.
No cenário interno, os indicadores divulgados desde setembro apontam para uma moderação acentuada da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho demonstra resiliência, apesar de sinais de desaquecimento. O comitê ressaltou que tanto a inflação cheia quanto as medidas subjacentes aceleraram e superaram o limite superior da tolerância da meta.
Revisão de projeções e impacto político
Após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, o mercado financeiro elevou projeções inflacionárias, reduziu estimativas de crescimento e passou a prever juros mais altos e dólar mais elevado. O Boletim Contextualizado pelo Banco Central na terça-feira (3) colocou as expectativas de inflação para 2026 e 2027 em 5,22% e 4,76%, respectivamente.
O Copom revisou de 3,4% para 3,5% a projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028, considerando a trajetória da Selic do mercado. O comitê atua com base no sistema de metas, fixado em 3% desde o início de 2025, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A autoridade monetária foca a inflação esperada para períodos futuros, dado o tempo necessário para que mudanças na Selic surtam efeito na economia.
