NewsHub
Economia

Incerteza refletiu nas expectativas para 2027, diz Nathalie Victal

Economista Nathalie Victal avaliou que a desancoragem das expectativas de inflação motivou a manutenção dos juros pelo Copom.

Redação•05 de nov. de 2026, 00:30
Incerteza refletiu nas expectativas para 2027, diz Nathalie Victal
Imagem: site

Incerteza refletiu nas expectativas para 2027, diz Nathalie Victal

Ouça esta matéria em voz alta

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros no patamar atual já era amplamente esperada pelo mercado. A avaliação foi feita por Nathalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, em entrevista ao CNN Money. Segundo a especialista, a expectativa pela manutenção era praticamente unânime entre os economistas.

Para a economista, o principal fundamento que motivou a manutenção dos juros foi a forte desancoragem das expectativas de inflação registrada na semana anterior ao encontro do Copom. Ela classificou o movimento como muito forte, intenso e rápido, avaliando que o cenário gerou desconforto na autoridade monetária.

Apesar disso, Nathalie ponderou que a barreira para uma nova elevação dos juros permanece muito alta, uma vez que o próprio comunicado do Banco Central destacou que a desaceleração da atividade econômica tem se mostrado mais acentuada do que o previsto. De acordo com a economista, a mensagem passada pelo BC demonstra preocupação com as expectativas, mas os pontos incluídos no texto oficial estão mais direcionados à fraqueza da atividade.

A especialista também ressaltou a relevância do Banco Central em atuar para evitar a retroalimentação em momentos de desancoragem. Ela explicou que expectativas inflacionárias mais elevadas tornam mais custoso o processo de trazer a inflação de volta à meta, o que pode comprometer a capacidade de resposta da instituição perante uma economia mais fraca. Deste modo, a postura de cautela foi interpretada como uma tentativa de preservar a credibilidade e os instrumentos de política monetária.

Entre os fatores apontados por Nathalie que contribuíram para a deterioração das expectativas de inflação em horizontes mais longos — como 2027, 2028 e 2029 —, destacam-se:

  • Dúvidas sobre a continuidade dos subsídios aos combustíveis;
  • Impactos da reforma tributária, com alíquota discutida no TCU acima da projeção da maioria dos economistas;
  • Percepção de crescimento contínuo da dívida pública.

A economista pontuou que a reversão desse quadro depende de entregas concretas nos âmbitos fiscal e econômico, frisando que o Banco Central enfrenta dificuldades para reancorar expectativas sozinho caso as causas não sejam estritamente monetárias.

Questionada sobre o cenário externo e as altas de juros em economias desenvolvidas, Nathalie lembrou que a política monetária brasileira possui histórico de desacoplamento. Contudo, alertou que o aperto global sincronizado exerce influência sobre o Brasil por meio da taxa de câmbio, visto que o diferencial de juros afeta a atratividade do país para o capital estrangeiro.

Por fim, ao comentar os riscos citados pelo Copom sobre estímulos à demanda agregada, a economista explicou que o BC tem sido surpreendido pela resiliência no consumo das famílias. Medidas fiscais, parafiscais e creditícias, como políticas de transferência de renda, acabam gerando forças opostas ao efeito contracionista da taxa de juros.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/incerteza-refletiu-nas-expectativas-para-2027-diz-victal/

Compartilhar