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Desequilíbrio fiscal, juros e endividamento marcam desafios de Lula 4

Reeleito para o quarto mandato, o presidente Lula enfrentará desafios econômicos como desequilíbrio fiscal, juros altos, mudanças demográficas na Previdência e o superendividamento das famílias.

Redação•26 de out. de 2026, 05:30
Desequilíbrio fiscal, juros e endividamento marcam desafios de Lula 4
Imagem: site

Desequilíbrio fiscal, juros e endividamento marcam desafios de Lula 4

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Reeleito após uma virada histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará grandes desafios econômicos em seu quarto mandato. Entre os principais entraves apontados por especialistas estão uma dívida pública trilionária, o mercado de trabalho em transformação e o endividamento familiar a níveis recordes.

Desequilíbrio Fiscal

O desequilíbrio fiscal do país é o foco principal do mercado financeiro. Atualmente, mais de 95% do orçamento está comprometido com despesas obrigatórias, deixando um espaço mínimo para as despesas discricionárias e refletindo a rigidez das contas públicas.

Para Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP (Escola de Economia de São Paulo), a indexação dos gastos é o principal motor desse cenário. Segundo ela, o governo não possui margem de manobra para atuar sobre essa fatia de despesas que cresce de forma determinada por lei. A especialista também aponta que, apesar da arrecadação farta, o direcionamento do orçamento e sua eficácia para o bem-estar social são questionáveis.

O aumento dos gastos reflete na aceleração da atividade econômica, gerando o avanço da inflação. Em 12 meses até setembro, a inflação estourou o teto da meta, atingindo 4,58%. Como efeito colateral para conter a alta dos preços, ocorre o aumento da taxa de juros.

Felipe Salto, economista-chefe na Warren, destaca que a taxa Selic elevadíssima tem uma razão fiscal. Para ele, sem resolver a questão dos juros, o crescimento não será alcançado. Os economistas afirmam que a solução exige compromissos concretos e condições de governabilidade nas negociações com o Congresso a partir de 1º de janeiro de 2027.

Fim do Bônus Demográfico

Outro grande desafio é a mudança no perfil da população, marcada pelo aumento de idosos e queda na natalidade, tornando o modelo atual da Previdência insustentável. O governo prevê gastar mais de R$ 1,117 trilhão com o sistema previdenciário neste ano. De 2022 até este ano, o orçamento do Poder Executivo para a Previdência Social cresceu mais de 32%.

O economista e demógrafo Fernando Fernandes aponta a necessidade de aumentar a formalização do trabalho para elevar o número de contribuintes. Atualmente, apenas 55% da força de trabalho contribui para a Previdência Social. Fernandes destaca ainda que o orçamento destina mais recursos à educação do que à saúde, cenário que perde sentido com menos crianças nas escola e mais idosos precisando de auxílio. A partir de 2037, o país passará a ter mais idosos do que jovens, o que pressionará ainda mais as contas, visto que a saúde é mais custosa que a educação.

Thais Zara, economista-chefe da 4intelligence, reforça que será preciso repensar o orçamento para ajustar o país às novas necessidades e evitar que déficits elevados acabem retirando recursos que poderiam ser investidos pelo setor privado.

Superendividamento das Famílias

O governo também precisará lidar com o superendividamento das famílias brasileiras. Dados do Serasa indicam que metade dos adultos no país — 83 milhões de brasileiros — possui dívidas que não consegue pagar, em meio ao acesso facilitado ao crédito com taxas de juros que chegam a três dígitos nos últimos anos.

Camila Abdelmalack, economista-chefe do Serasa Experian, explica que a bancarização ocorreu principalmente nas faixas de menor renda e sem o devido avanço da educação financeira. Para conter o endividamento, o governo lançou a 2ª e a 3ª edição do programa "Desenrola", cujos resultados de curto prazo foram limitados. Segundo Abdelmalack, a ineficiência ocorre devido à taxa Selic historicamente elevada, que eleva o risco de o cidadão retornar à inadimplência ao utilizar novos produtos de crédito.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/desequilibrio-fiscal-juros-e-endividamento-desafios-economicos-de-lula-4/

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