As próximas eleições em Israel trazem à tona debates sobre os rumos das políticas para a Palestina, embora uma mudança drástica no processo de paz seja improvável. O atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu principal oponente, Gadi Eisenkot, opõem-se à criação de um Estado palestino independente. Três anos após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro, ambos mantêm uma postura linha-dura em relação a Gaza, defendendo a retomada da guerra caso o grupo militante não se desarme. No entanto, os candidatos divergem quanto aos assentamentos na Cisjordânia ocupada e devem contar com diferentes parceiros de coalizão para governar.
Assentamentos na Cisjordânia
Sob a gestão de Netanyahu, observou-se uma rápida expansão dos assentamentos, incluindo postos avançados em áreas reservadas à administração civil da Autoridade Palestina, onde tais construções são ilegais segundo a própria legislação israelense. Críticos apontam que o governo tem feito vista grossa para a violência frequente de colonos contra palestinos. Por outro lado, Eisenkot apoia os assentamentos apenas em conformidade com a lei israelense, opondo-se a estruturas não autorizadas, defendendo a desativação de postos avançados proibidos e comprometendo-se a impedir a violência dos colonos. Ele também se opõe ao projeto de construções na área conhecida como E1, que dividiria a Cisjordânia e a isolaria de Jerusalém Oriental com o objetivo de sepultar a possibilidade de um Estado palestino.
Autogoverno palestino
A política israelense deslocou-se para a direita, resultando na oposição de Netanyahu, Eisenkot e líderes de praticamente todos os partidos de maioria judaica à solução de dois Estados. Ambos defendem que Israel mantenha o controle de segurança final sobre todo o território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Contudo, as restrições de Eisenkot aos assentamentos preservariam territórios onde os palestinos exercem autogoverno civil, enquanto a coalizão de Netanyahu inclui legendas que defendem abertamente a anexação total das terras palestinas ocupadas.
Gaza e segurança
Três anos após o ataque ao sul de Israel e um ano após o cessar-fogo mediado pelos EUA encerrar os principais combates, as tropas israelenses controlam cerca de dois terços de Gaza. Mais de 2 milhões de palestinos vivem no terço restante sob o controle político absoluto do Hamas. Netanyahu e Eisenkot afirmam que as forças israelenses não se retirarão do enclave enquanto o Hamas não for desarmado. Eisenkot sustenta que, em até 18 meses após assumir o cargo, garantiria a substituição da administração do Hamas por meio de plano mediado pelos EUA ou força militar.
Parceiros de coalizão
A coalizão de Netanyahu inclui grupos nacionalistas judaicos de direita liderados por Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defensores da anexação e alvos de sanções internacionais, além de contar com partidos ultraortodoxos que buscam isenção do serviço militar para estudantes religiosos. Para destituir Netanyahu, Eisenkot pode buscar partidos de oposição de direita sem líderes tão radicais, além de contar possivelmente com Os Democratas, único partido de destaque liderado por judeus que apoia uma solução de dois Estados. Tanto Netanyahu quanto Eisenkot afirmaram que não formarão governos com partidos que representam majoritariamente cidadãos israelenses de ascendência palestina.
