A Rússia realizou uma série de ataques com mísseis balísticos contra Kiev, capital da Ucrânia, na madrugada desta quinta-feira, 22. A ofensiva ocorreu poucas horas depois de o presidente russo, Vladimir Putin, sinalizar disposição para retomar as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. De acordo com as autoridades ucranianas, os bombardeios deixaram ao menos duas pessoas mortas e 22 feridos, incluindo quatro crianças.
Os disparos atingiram instalações de energia, estruturas de transporte e edifícios residenciais. Segundo o governo da Ucrânia, foram registradas três ondas de ataques que envolveram o lançamento de 21 mísseis balísticos contra a capital. Entre os locais danificados estão prédios comerciais, um mosteiro, uma estação de ambulâncias e uma ponte sobre o rio Dnipro. A ofensiva também alcançou outras onze regiões ucranianas, afetando a infraestrutura da cidade portuária de Odessa, no sul do país. Equipes de emergência foram acionadas para apagar incêndios e prestar socorro às vítimas.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou duramente a ação. “Quase imediatamente após mais uma rodada de negociações, a Rússia lançou um ataque deliberado. Isso significa que não houve nenhuma mudança real em sua postura. Três ondas de mísseis balísticos, 21 no total, foram lançadas contra Kiev pelos ‘humanitários’ russos desde a noite de ontem”, declarou Zelensky, ironizando o termo usado na véspera pelo enviado especial americano, Steve Witkoff, para se referir a Putin.
Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia informou que suas forças de defesa antiaérea interceptaram e destruíram 808 drones ucranianos durante a madrugada, em diferentes regiões do território russo e na Crimeia, península anexada por Moscou em 2014.
Negociações e relações diplomáticas
O bombardeio aconteceu logo após a reunião entre Putin e Steve Witkoff na quarta-feira, 21, em São Petersburgo, focada em discutir caminhos para encerrar o conflito. Após o encontro, a Rússia anunciou a intenção de retomar as conversas trilaterais com os Estados Unidos e a Ucrânia em novembro. A última rodada oficial ocorreu em fevereiro, em Abu Dhabi.
O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou à imprensa que o governo russo está pronto para reiniciar os diálogos, previstos para meados de novembro, com o objetivo principal de reforçar a segurança após o término do conflito. No mesmo dia, Zelensky propôs congelar a linha de frente da guerra como o primeiro passo rumo a um cessar-fogo.
As conversas ocorrem em meio a tensões nas relações entre Kiev e Washington. O desgaste aumentou após o presidente americano anunciar um acordo com a Rússia para a compra de diesel russo e a suspensão temporária de novas sanções contra Moscou, buscando conter os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato em novembro. Durante o encontro com Witkoff, Putin confirmou que um navio com 40 mil toneladas de diesel russo partirá para os Estados Unidos nos próximos dias.
Em paralelo, a Rússia libertou o professor americano aposentado Stephen Hubbard, de 74 anos, preso desde 2022 sob a acusação de combater ao lado das forças ucranianas. A soltura atendeu a um pedido feito por Donald Trump em ligação telefônica recente com Putin. Anteriormente, Trump havia sugerido que a Ucrânia elegesse um novo líder para viabilizar um acordo de paz e criticou Zelensky por supostamente não concretizar negociações.
O governo da Ucrânia também acusou os Estados Unidos de restringirem o suporte militar e de inteligência necessário para conter os ataques russos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou a acusação como escandalosa. No entanto, reportagem do jornal The Wall Street Journal revelou que a decisão de limitar o acesso da Ucrânia aos terminais de satélite Starlink, operados pela SpaceX de Elon Musk, partiu de ordens da própria Casa Branca.
