Os contratos futuros do petróleo Brent registraram alta nesta quinta-feira (22), alcançando o patamar mais elevado desde o mês de maio. A valorização foi impulsionada por novos ataques perpetrados pelos houthis na Arábia Saudita, o que intensificou os temores de uma escalada nos conflitos na principal região exportadora do planeta e de novos impactos na oferta de petróleo bruto.
O petróleo Brent registrou avanço de US$ 3,19, o equivalente a 2,9%, alcançando US$ 112,01 por barril. Nas negociações mais cedo, o produto chegou a ser cotado a US$ 112,68 por barril, maior marca desde o dia 18 de maio. No mercado norte-americano, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) subiu US$ 2,41, ou 2,5%, atingindo US$ 99,56 por barril após bater US$ 100,09 durante o pregão.
De acordo com Tamas Varga, analista da PVM Oil, os impactos negativos dos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e à infraestrutura petrolífera na Arábia Saudita superaram os relatos de que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio teriam superado os patamares anteriores aos conflitos. O especialista também apontou que a redução das tensões é improvável antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, fator que deve sustentar os preços em patamares elevados.
Impactos na região e medidas de segurança
Fontes familiarizadas com o assunto relataram que a Saudi Aramco orientou funcionários a deixarem sua sede em Dhahran e adotarem o regime de trabalho remoto. Paralelamente, autoridades dos Estados Unidos confirmaram à agência Reuters que o Departamento de Estado ordenou a saída de alguns diplomatas e seus familiares de missões na Arábia Saudita, além de planejar a retirada de familiares de outras representações diplomáticas na região.
As medidas ocorrem após os houthis do Iêmen realizarem ataques contra múltiplos alvos na Arábia Saudita na quarta-feira. Os episódios deixaram ao menos uma pessoa morta e oito feridas em um aeroporto civil localizado em Dammam, além de duas mortes registradas em um ataque de drones direcionado a um campo petrolífero saudita. Na mesma data, a imprensa iraniana informou sobre explosões de origem e natureza ainda desconhecidas na cidade de Sirik, no sul do Irã.
Interrupções logísticas e de produção
Problemas na cadeia de suprimentos seguiram afetando os estoques internacionais. A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que quatro embarcações envolvidas em transferências irregulares de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente após monitoramento e pegaram fogo na quarta-feira. A corporação informou ainda que outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz.
Na Líbia, o presidente da Companhia Nacional de Petróleo informou que a válvula de um oleoduto que conecta os campos de Hamada e Tahara ao porto de Zawiya foi fechada, provocando retração na produção de ambos os campos.
Para tentar conter a disparada nos preços — intensificada pela escassez de diesel decorrente do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, bem como pela guerra entre Rússia e Ucrânia —, o governo de Donald Trump anunciou a oferta de empréstimo de quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, montante que totaliza 1 milhão de barris. Em paralelo, o Parlamento Europeu aprovou o adiamento por três anos da aplicação de diretrizes da União Europeia sobre emissões de metano incidentes sobre importações de petróleo e gás, atendendo a pressões de governos como os da França e dos Estados Unidos.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/precos-petroleo-22-outubro-2026/
