Um dia antes de deixar o país, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que jamais havia considerado a possibilidade de sair do território nacional. Na gravação, divulgada na última segunda-feira (26), o parlamentar declarou: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”.
A manifestação ocorreu depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou um prazo de 24 horas para que o senador entregasse seus passaportes. A ordem do magistrado sucedeu a derrota do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República no último domingo (25), além de estar vinculada a um inquérito que investiga denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz.
Apesar da declaração de que entregaria os documentos, a terça-feira (27) iniciou com boatos de que o parlamentar teria partido rumo à Argentina. O governo brasileiro acionou autoridades argentinas sobre um possível risco de fuga, enquanto a Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes do senador, visto que eles não foram entregues dentro do prazo estipulado por Moraes.
A confirmação de que o parlamentar deixou o Brasil partiu de aliados. Pessoas próximas informaram à CNN Brasil que o senador viajou para os Estados Unidos, país governado por Donald Trump, na companhia de sua família. Segundo esses aliados, o governo norte-americano teria apoiado a saída e sinalizado concessão de asilo ao político.
Com essa movimentação, o parlamentar refaz os passos de seu pai. Em 2022, Jair Bolsonaro viajou para os Estados Unidos dois meses após ser derrotado por Lula nas urnas, período em que o ex-presidente ainda não era investigado por tentativa de golpe de Estado.
A saída do senador gerou reações e repercussões políticas. O líder do PL afirmou que a decisão de Flávio precisa ser compreendida, enquanto o vice de Flávio classificou o episódio como uma “perseguição implacável”. Em resposta à partida, o PL convocou uma reunião de emergência. Especialistas ouvidos pela CNN também apontaram que a fuga legitima o cancelamento dos documentos de viagem pela Polícia Federal.
