O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou novamente nesta terça-feira (27), durante um comício realizado no Texas, que as eleições no Brasil foram fraudadas. A declaração ocorreu no contexto de sua agenda de campanha para as Eleições de Meio de Mandato (Midterms), marcadas para 3 de novembro.
Durante o evento, Trump criticou os democratas e mencionou o pleito brasileiro: “Eles fraudam muito bem (os democratas). São os maiores fraudadores de eleições da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Eu não tomei partido, não gostei, não me pareceu muito bom”, declarou o presidente americano.
Trump tem cumprido uma intensa agenda de comícios diários em áreas de forte apoio republicano pelo país, com discursos que chegam a durar 90 minutos, para incentivar a participação de eleitores e ajudar os republicanos a manterem o controle do Congresso.
Discurso econômico e preocupação dos eleitores
Em meio às viagens de campanha, Trump tem tentado reforçar suas realizações econômicas, destacando taxas de pobreza em níveis historicamente baixos, baixo desemprego, recordes no mercado de ações e preços mais acessíveis para alguns alimentos, após ter afirmado no início do mês que fez um "mau trabalho" ao explicar seu desempenho na economia.
Contudo, a narrativa oficial contrasta com o descontentamento dos eleitores em relação aos gastos diários com combustível e supermercado. Os preços ao consumidor aceleraram em setembro, impulsionados pela alta na gasolina, cujo preço médio nos Estados Unidos alcançou US$ 4,27 por galão (cerca de US$ 1,13 por litro), registrando uma alta de aproximadamente 40% em relação ao ano anterior, segundo dados da AAA. Trump tem prometido reiteradamente que os combustíveis ficarão mais baratos assim que a "guerra com o Irã" terminar.
Postura defensiva republicana e mapa dos comícios
O roteiro de viagens do presidente evidencia a dificuldade dos republicanos em preservar o controle do Congresso, exigindo que Trump faça campanha mesmo em redutos conservadores tradicionais. O presidente viajou duas vezes ao Texas para apoiar Ken Paxton, candidato ao Senado; esteve no Kansas em apoio ao senador Roger Marshall; e visitou duas vezes Ohio para apoiar o senador Jon Husted. Comícios também foram realizados em estados como Alasca, Iowa, Montana e Carolina do Sul, além de uma visita programada ao Mississippi na segunda-feira (26).
As pesquisas apontam disputas acirradas e desafios expressivos para os candidatos republicanos nesses locais, contra adversários democratas como James Talarico (Texas), Adam Hamilton (Kansas), Sherrod Brown (Ohio) e Josh Turek (Iowa).
Foco no público e repercussão de pesquisas
O tamanho das multidões tornou-se um tema recorrente nos discursos de Trump, que frequentemente relata arenas lotadas e milhares de pessoas do lado de fora. No entanto, a adesão real tem se mostrado irregular nas últimas semanas, com locais de capacidade máxima sem público excedente e setores vazios em outras localidades. Apesar de utilizar o apelo de público como demonstração de força, pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada apontou que o índice de aprovação de Trump caiu para 31%, o patamar mais baixo de todo o seu mandato presidencial.
Temas internacionais e alusão à França
Nos discursos recentes, Trump também passou a utilizar os violentos distúrbios ocorridos na França como um alerta sobre o que poderia acontecer nos Estados Unidos caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato, atribuindo a responsabilidade por tais protestos a imigrantes e muçulmanos. Anteriormente, o presidente costumava citar o presidente francês, Emmanuel Macron, alegando ter forçado o líder europeu a aumentar os preços de medicamentos prescritos na França por meio de ameaças de tarifas sobre o champanhe e outros produtos.
Declarações sobre o físico
Conhecido por focar em atributos físicos e na aparência de opositores, aliados e conhecidos, Trump chamou atenção durante a temporada eleitoral ao elogiar o físico de figuras públicas como Jon Husted, Robert F. Kennedy Jr. (secretário de Saúde e Serviços Humanos) e ao criticar o estilo de vestimenta de Ken Paxton.
