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Economia

Fusões e aquisições na mineração brasileira atingem US$ 8,2 bilhões desde 2025

Levantamento da Alvarez & Marsal aponta que fusões e aquisições na mineração brasileira somam US$ 8,2 bilhões desde 2025.

Redação•08 de out. de 2026, 04:30
Fusões e aquisições na mineração brasileira atingem US$ 8,2 bilhões desde 2025
Imagem: site

Fusões e aquisições na mineração brasileira atingem US$ 8,2 bilhões desde 2025

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As transações de fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil totalizam US$ 8,2 bilhões desde janeiro de 2025. O movimento é impulsionado pela disputa global por minerais críticos e pela revisão de portfólio de grandes mineradoras, conforme levantamento realizado pela Alvarez & Marsal (A&M).

O estudo identificou 13 operações com valores públicos divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro deste ano, além de mais de uma dezena de negócios menores ou que não tiveram suas cifras reveladas. Do total de transações mapeadas, oito já foram concluídas, somando US$ 4,6 bilhões, enquanto outras cinco continuam dependendo de fechamento ou de aprovações, totalizando US$ 3,6 bilhões.

O ritmo de negócios apresentou forte aceleração. Apenas em 2026, os acordos anunciados alcançaram US$ 5,9 bilhões, o equivalente a 2,6 vezes o montante de US$ 2,3 bilhões registrado durante todo o ano passado.

Terras raras e o prêmio geopolítico

O principal destaque do período está no segmento de terras raras. Duas negociações isoladas representam 42% de todo o valor levantado pela A&M: a compra da Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth e o acordo da australiana Lynas para adquirir a Meteoric Resources.

  • USA Rare Earth: concluiu em setembro a aquisição da Serra Verde, proprietária da mina Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), em operação avaliada em US$ 2,8 bilhões.
  • Lynas: anunciou no final de setembro um acordo para comprar a Meteoric, controladora do projeto Caldeira, em Minas Gerais, por cerca de US$ 672 milhões.

Rafael Marchi, Managing Director da A&M, apontou que a importância estratégica dos recursos minerais passou a impactar diretamente o fluxo de capitais. Segundo o executivo, o chamado "prêmio geopolítico" envolve a capacidade de tirar projetos do papel e transformá-los em operações reais, servindo de referência para atrair capital a uma cadeia ainda pouco desenvolvida fora da China.

Desinvestimento de grandes grupos e avanço chinês

A disparada no setor também é reflexo da redução de portfólio promovida por grandes corporações. Empresas como Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e Votorantim colocaram ativos brasileiros à venda ou realizaram desinvestimentos.

Entre as maiores operações anunciadas estão:

  1. A venda de 64,7% da participação da Votorantim na Nexa Resources para a sueca Boliden (US$ 1,31 bilhão);
  2. A comercialização dos ativos brasileiros de ouro da Equinox Gold para a chinesa CMOC (até US$ 1,015 bilhão);
  3. A transação que concede o controle da CBA à Chalco e à Rio Tinto (US$ 903 milhões).

Compradores chineses representam aproximadamente 30% do valor anunciado no intervalo, considerando operações da CMOC, Chalco e MMG. Somados a acordos anteriores firmados por Baiyin e CNMC, o grupo chinês já adquiriu ou está em processo de compra de cinco ativos operacionais no país desde 2025.

Outros minerais críticos também ganharam tração, a exemplo do níquel. A MMG fechou acordo para comprar ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará por até US$ 500 milhões, transação que ainda aguarda análise regulatória na União Europeia.

Regulação e perspectivas para o setor

Para Marchi, as recentes alterações na legislação brasileira voltadas a minerais críticos não anteciparam aquisições e geraram certa insegurança temporária, resultando no atraso de alguns processos. O executivo avalia que a nova estrutura de análise para operações estratégicas funcionará mais como uma etapa adicional de validação, semelhante ao Cade, sem o perfil de barrar projetos de forma generalizada.

As empresas também vêm adaptando suas iniciativas para atender à intenção governamental de ampliar a verticalização e agregar etapas da cadeia mineral dentro do território nacional. A A&M aponta que o mercado de fusões e aquisições segue aquecido, com negócios de grande porte no radar, como a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê (buscando cerca de US$ 5 bilhões), além de negociações envolvendo a BAMIN e uma fatia minoritária da LHG Mining, que não estavam assinadas na data de corte do levantamento.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/fusoes-e-aquisicoes-na-mineracao-brasileira-somam-us-82-bi-desde-2025/

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