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Hungria abrirá arquivos da era comunista e expõe passado de espiões

Hungria disponibilizará arquivos secretos da era comunista em banco de dados online, revelando listas de informantes e colaboradores.

Redação•06 de nov. de 2026, 17:30
Hungria abrirá arquivos da era comunista e expõe passado de espiões
Imagem: site

Hungria abrirá arquivos da era comunista e expõe passado de espiões

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A Hungria vai disponibilizar em breve milhares de arquivos policiais da era comunista em um banco de dados online público. A medida dará às pessoas acesso a listas de informantes e colaboradores que integravam os antigos serviços de segurança do Estado. O lançamento está programado para o 70º aniversário da revolta anti-soviética de 1956 no país.

A iniciativa faz parte de uma promessa do primeiro-ministro Peter Magyar de tornar públicos os registros armazenados em um vasto porão de arquivos em Budapeste, permitindo que os húngaros enfrentem seu passado totalitário. O regime comunista terminou em 1989, mas a Hungria demorou a abrir totalmente os dados devido à falta de vontade política de governos anteriores. Antes, cidadãos comuns só podiam solicitar registros próprios ou de familiares próximos, além de pesquisadores. Agora, qualquer pessoa poderá realizar buscas no sistema.

Durante a Guerra Fria, agências policiais secretas na Europa Oriental — como a Stasi na Alemanha Oriental e os serviços de segurança húngaros — contavam com colaboradores recrutados publicamente por meio de chantagem, ameaças ou recompensas. Entre 1956 e 1989, cerca de 55 mil colaboradores secretos foram registrados na Hungria para monitorar amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalho em busca de sinais de dissidência e influência ocidental, cujos relatos frequentemente geravam prisões e interrogatórios.

Locais conhecidos como "K-flats" ou "apartamentos da conspiração" no centro de Budapeste serviam como pontos de encontro entre agentes e colaboradores civis. Na década de 1980, informantes frequentavam shows da cena underground do rock de Budapeste, considerados subversivos pelas autoridades.

Peter Muller "Sziami", figura icônica da música atual, relembrou que sua banda Kontroll Csoport apresentou em 1983 uma música de sua autoria chamada "Informers and Provocateurs". Na ocasião, a banda direcionou holofotes para a multidão de cerca de mil pessoas para tentar identificar informantes. Muller, hoje com 74 anos, relatou que quase foi expulso da faculdade por causa de sua música, além de sofrer com proibição de shows e interrogatórios. Sua primeira banda de punk rock, "URH", criada em 1980, levava o nome da frequência de rádio da polícia estadual e era alvo constante de perseguição.

Muller expressou sentimentos mistos sobre a abertura tardia dos arquivos. Segundo ele, há desconforto com a ideia de que a sociedade precise de purificação ou catarse após tanto tempo, resultando na humilhação, exposição e punição de pessoas que já faleceram ou mudaram de fase na vida.

O ABTL (Arquivo Histórico da Segurança do Estado Húngaro), responsável por administrar os registros com nomes de 50 a 60 mil colaboradores, saudou a divulgação como um passo histórico. O diretor do órgão, Bendeguz Gergo Cseh, afirmou que a medida superou ações de outros países do antigo bloco oriental. A lei húngara foi aprovada pelo parlamento em setembro e define a transparência institucional e a compreensão do passado como pré-requisitos para um Estado democrático.

A divulgação de quatro tipos de arquivos acontecerá em duas etapas a partir de 4 de novembro, data em que tanques soviéticos entraram em Budapeste em 1956 para reprimir o levante pró-democracia iniciado em 23 de outubro. Informações pessoais sensíveis, como registros de saúde, vícios e orientação sexual, serão omitidas.

Cseh declarou que emitir julgamentos com base nas informações é inadequado, mas avaliou que o acesso permitirá uma compreensão mais profunda das histórias de vida e um confronto social e individual com o passado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/o-show-de-rock-em-1983-que-virou-os-holofotes-para-a-plateia-para-cacar-espioes-e-a-verdade-que-os-comunistas-guardaram-por-decadas/

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