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Economia

Ibovespa despenca após reeleição de Lula e investidores avaliam riscos

Ibovespa despenca 13,88% após reeleição de Lula e perde R$ 734 bilhões em valor de mercado, gerando dúvidas entre investidores sobre o momento de comprar ações.

Redação•27 de out. de 2026, 00:30
Ibovespa despenca após reeleição de Lula e investidores avaliam riscos
Imagem: site

Ibovespa despenca após reeleição de Lula e investidores avaliam riscos

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Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa registrou uma queda de 13,88% nesta segunda-feira (26), fechando aos 176.608 pontos. O recuo representa a maior baixa diária do índice desde março de 2020, quando o mercado despencou 13,92% no início da pandemia de Covid-19.

Com o tombo, a bolsa brasileira sofreu uma perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado, conforme levantamento da Elos Ayta, montante próximo ao valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 746 bilhões. A reação do mercado refletiu a surpresa de parte dos investidores com o resultado eleitoral, que passaram a rever estratégias diante das incertezas sobre gastos públicos, controle da dívida do governo e a condução da economia, após apostas em uma transição para um governo de centro-direita.

Segundo a corretora Vault Research, cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) haviam ingressado na bolsa em outubro apostando nessa transição, capital que foi retirado com a reeleição. A corretora aponta ainda que problemas na inflação, na situação fiscal e na saúde financeira das empresas também pesam sobre o cenário. Para a instituição, mesmo com a queda, o Ibovespa segue cerca de 9% acima do início do ano, e a direção permanece de baixa.

Especialistas consultados alertam que a queda nos preços não significa que todas as empresas estejam baratas ou que seja o momento ideal de compra. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, pontua que a desvalorização indica que os investidores passaram a aceitar preços menores devido aos riscos percebidos, e que a decisão de compra depende das condições individuais de cada companhia, sua capacidade de gerar resultados e seu nível de endividamento.

Diante desse cenário, o BTG Pactual recomenda cautela e prioriza empresas exportadoras, companhias com menor endividamento ou negócios em setores defensivos. As perspectivas de um real mais fraco podem beneficiar exportadoras como Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG e Embraer. Já entre as ações defensivas e com balanços sólidos, o banco destaca seguradoras como Caixa Seguridade e Porto Seguro, além da Ambev, Petrobras e Itaú Unibanco.

A capacidade de enfrentar juros elevados também é um fator crítico. Em 2025, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial envolvendo 2.466 empresas, o maior número da série histórica da Serasa Experian desde 2012. Em agosto de 2026, o país contabilizava 9,3 milhões de empresas inadimplentes, somando R$ 244,4 bilhões em dívidas negativadas.

Para o Goldman Sachs, a situação fiscal segue como o principal termômetro para o risco brasileiro. Alberto Ramos, chefe de Pesquisa Econômica para a América Latina do banco, destaca que os mercados monitorarão os sinais do governo sobre a política econômica, incluindo a escolha do ministro da Fazenda e um plano claro para o equilíbrio fiscal. Ramos também aponta que a configuração do Congresso, onde o Partido Liberal (PL) detém 121 deputados e 29 senadores, pode impor desafios adicionais à articulação política e à aprovação de medidas econômicas devido à força da oposição conservadora.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/27/comprar-acoes-veja-o-que-avaliar-apos-tombo-do-ibovespa.ghtml

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