As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) encerraram a quarta-feira (23) com altas expressivas. O movimento ocorreu em sintonia com o avanço acentuado dos rendimentos dos Treasuries no exterior e com a reação dos investidores a uma nova pesquisa eleitoral que apontou um leve fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No fechamento da tarde, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028 situou-se em 13,585%, registrando alta de 10 pontos-base em comparação ao ajuste anterior de 13,485%. Na ponta longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2035 alcançou 14,035%, com acréscimo de 7 pontos-base frente aos 13,962% da véspera.
Impacto da pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg
O levantamento realizado pela Atlas/Bloomberg colocou o presidente Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da corrida presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu com 47,4%. Como a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual, os dois candidatos configuram um empate técnico.
Apesar da estabilidade técnica, o resultado devolveu a liderança numérica a Lula, visto que na sondagem prévia o petista registrava 46,8% contra 47,2% de Flávio Bolsonaro. Anteriormente, a percepção de fortalecimento do senador vinha impulsionando o mercado por meio do chamado “trade eleitoral”, marcado pela alta do Ibovespa e pela queda do dólar e das taxas dos DIs.
O mercado financeiro mantém desconfiança em relação a Lula, interpretando uma possível reeleição como obstáculo para a gestão das contas públicas e o controle inflacionário. Desse modo, notícias desfavoráveis ao candidato da oposição geram viés de alta para a moeda norte-americana e para as taxas futuras de juros no Brasil.
Influência externa e Treasuries
Durante o pregão, a pressão de alta nas taxas domésticas ganhou força com a aceleração dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries). O movimento internacional refletiu a expectativa de que o Federal Reserve possa retomar a alta de juros no curto prazo, impulsionado pelos desdobramentos inflacionários decorrentes da guerra no Oriente Médio.
Adicionalmente, a S&P Global divulgou que o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos Estados Unidos, abrangendo manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro, superando o patamar de 56,0 de agosto e atingindo o nível mais elevado desde julho de 2021.
A analista Laís Costa, da Empiricus Research, comentou sobre o cenário ao destacar que a taxa do título norte-americano de cinco anos superou a marca de 5%. A taxa do DI para janeiro de 2028 oscilou entre a mínima de 13,495% registrada às 10h25 e a máxima de 13,590% às 13h54.
Política Monetária e Copom
Apesar da alta nas curvas, o mercado continuou precificando expectativas para o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mantendo projeções para um novo corte na taxa Selic, atualmente em 13,75%. A curva precificava cerca de 60% de probabilidade de redução de 25 pontos-base e 40% de chance de manutenção.
Pela manhã, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, declarou em um evento em São Paulo que o ciclo atual de cortes na Selic configura uma "calibração", e não um processo de afrouxamento monetário, recomendando cautela e movimentos suaves diante de cenários de incerteza.
No exterior, o rendimento do Treasury de dez anos disparava 14 pontos-base, atingindo 5,11%, enquanto o barril de petróleo Brent avançava 4,45%, cotado a US$ 103,65.
