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Economia

Mercado brasileiro de concessões rodoviárias dobra número de empresas em uma década

Levantamento aponta que o número de empresas administradoras de rodovias no Brasil saltou de 18 para 35 entre 2016 e 2026, com forte entrada de estrangeiros.

Redação•22 de out. de 2026, 07:30
Mercado brasileiro de concessões rodoviárias dobra número de empresas em uma década
Imagem: site

Mercado brasileiro de concessões rodoviárias dobra número de empresas em uma década

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O mercado de concessões rodoviárias no Brasil passou por uma intensa transformação entre 2016 e 2026, marcada pela desconcentração do setor, reestruturações e pela entrada expressiva de novos operadores, incluindo companhias internacionais e fundos de investimentos. Um levantamento elaborado pela A&M Infra, divisão de infraestrutura e projetos de capital, a pedido da CNN, aponta que o número de empresas administradoras de rodovias praticamente dobrou no período, saltando de 18 para 35.

Em contrapartida, a malha gerida pelas cinco maiores empresas do setor diminuiu de 64% para 54% do total. Os dados captam um cenário em que a extensão de rodovias federais e estaduais sob gestão da iniciativa privada avançou de cerca de 19 mil quilômetros para aproximadamente 36 mil quilômetros.

Segundo Tiago Barros, diretor-sênior da A&M Infra, os últimos dez anos foram caracterizados por forte dinamismo no país, impulsionados por reestruturações relevantes e por um pipeline acelerado de projetos a partir de 2020.

Mudanças na liderança e novos entrantes

Em 2016, a liderança do mercado era dividida igualmente entre a espanhola Arteris e a CCR (atual Motiva), ambas com 17% de participação, seguidas por Invepar (12%), Ecorodovias (9%) e Triunfo (9%). Algumas marcas deixaram o mercado ao longo dos anos, a exemplo de Roadis — antiga dona da Via Bahia — e Odebrecht Transport. A Triunfo encerrou sua atuação na BR-040, situada entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG), e projeta deixar outras operações.

Atualmente, a liderança do setor é disputada palmo a palmo por Motiva e Ecorodovias, cada uma detendo 14% de participação. A EPR, criada em 2022 pelos grupos Equipav e Perfin, responde por 10%, enquanto Pátria Investimentos (9%) e Arteris (7%) completam as posições seguintes.

Empresas recentes também ganharam destaque. É o caso da Nova Rodovias, fruto de uma parceria entre o Opportunity e quatro construtoras unidas na 4UM (JMalucelli, Carioca Engenharia, Aterpa e Senpar). O CEO da companhia, Marcelo Stachow, destacou recentemente em entrevista à CNN a alta capacidade do grupo em se alavancar com equity e executar projetos de capex elevado. A empresa já arrematou as concessões da BR-381 (entre Belo Horizonte e Governador Valadares, em Minas Gerais) e da BR-364 (entre Porto Velho e Vilhena, em Rondônia), além de analisar os leilões da Rota Agro Central, Rota do Pequi e a relicitação da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).

O Pátria Investimentos, presente em rodovias federais e estaduais, destaca a previsibilidade do marco regulatório e a confiança de investidores estrangeiros, como fundos soberanos e de pensão, na segurança contratual. Na visão de Thiago Bronzi, sócio-líder de investimentos em rodovias e saneamento da gestora, a intenção é continuar participando do setor, onde atuam há dez anos. Já a francesa Vinci, uma das maiores operadoras privadas de rodovias do mundo, arrematou a Rota dos Cristais (entre Belo Horizonte e Cristalina, em Goiás) e adquiriu a Entrevias, em São Paulo.

Perspectivas e novos leilões

A continuidade das concessões é apontada pela A&M Infra como um vetor de reconfiguração do mercado nacional, com espaço para futuras oportunidades de fusões e aquisições. Na semana passada, o Ministério dos Transportes apresentou sua carteira de leilões para o próximo quadriênio, projetando a oferta de 11 ativos apenas em 2027, incluindo três lotes em Santa Catarina e a Rota Portuária Itaqui, ligando São Luís (MA) a Teresina (PI). O cronograma também abrange trechos como a Rota do Café (BR-393/RJ) e a otimização da BR-153 em São Paulo (Transbrasiliana), com investimentos estimados em R$ 102,6 bilhões. O ministro George Santoro classificou o número de leilões como extremamente ousado.

Embora o mercado avalie que possam ocorrer nuances dependendo do resultado das eleições presidenciais, a agenda de concessões rodoviárias permanece como um consenso entre os candidatos. Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), ressalta que investidores internacionais continuam enxergando oportunidades e que novos entrantes podem surgir no país.

Barcelos aponta ainda que o setor se consolidou como um vetor dinamizador de outras atividades econômicas, desde construtoras até empresas de atendimento pré-hospitalar e assistência médica em rodovias pedagiadas. Para preservar o apetite dos investidores, ele reforça a necessidade de cumprimento integral dos contratos e apela para que os governos que assumirem em 2027 evitem ceder a pressões populistas contrárias à cobrança de tarifas, essenciais para garantir investimentos recordes e a melhoria das condições para os motoristas.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/mercado-de-concessoes-rodoviarias-vive-decada-da-transformacao-no-pais/

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