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Economia

Mercado financeiro adota tom pessimista após reeleição de Lula

Bancos e gestores da Faria Lima revisam projeções econômicas e adotam cenários de cautela e crise após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Redação•28 de out. de 2026, 14:30
Mercado financeiro adota tom pessimista após reeleição de Lula
Imagem: site

Mercado financeiro adota tom pessimista após reeleição de Lula

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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o pessimismo entre bancos, gestores e analistas do mercado financeiro, que passaram a desenhar cenários desafiadores para a economia brasileira. Anteriormente, parte do setor apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, projetando valorização da bolsa, queda do dólar e redução dos juros.

Com a mudança no panorama político, instituições financeiras reajustaram suas projeções e posições. O Citigroup encerrou suas apostas otimistas em ações brasileiras e na valorização do real. A BCA Research reduziu as recomendações para ações e títulos do Brasil. O Morgan Stanley aponta a possibilidade de perdas entre 20% e 30% nos papéis, enquanto o BTG Pactual estimou uma queda de 17% do Ibovespa em comparação ao patamar anterior ao pleito. O receio principal é que a manutenção de incertezas fiscais mantenha os juros elevados por mais tempo.

O clima de cautela também afeta as projeções para a economia real. André Matos, CEO da MA7 Capital, avalia que o investimento em máquinas, equipamentos e construção pode registrar alta entre zero e 1% em 2027, caso o dólar e os juros permaneçam nos patamares atuais. O executivo também alerta para pressões inflacionárias decorrentes da desvalorização cambial, classificando o momento como o pior cenário possível devido a uma economia fraca aliada à inflação alta, com perspectiva de crescimento do PIB inferior a 1% no próximo ano.

Na mesma linha, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, aponta que a permanência de juros altos pode contrair o crescimento do investimento privado entre dois e quatro pontos percentuais na comparação com um cenário de estabilidade, subtraindo de 0,3 a 0,6 ponto percentual do avanço do PIB. Já a desvalorização cambial pode adicionar de 0,3 a 0,7 ponto à inflação acumulada até 2028.

O ambiente de cautela atinge o setor de investimentos em startups. Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, destaca a divergência entre as perspectivas brasileiras e o cenário internacional, citando a projeção do FMI de expansão global de 3,4% em 2027, enquanto a estimativa brasileira anterior à eleição era de 1,31%. Segundo ele, o foco no venture capital deve ser buscar empresas eficientes e disciplinadas no uso de capital. No âmbito corporativo, Letícia Moschioni, sócia da Finscale, enfatiza a necessidade de preservação de caixa, exemplificando que uma empresa com faturamento anual de 100 milhões de reais conseguiria liberar 2,74 milhões de reais em capital de giro ao encurtar em dez dias o prazo médio de recebimento de vendas.

Antes da votação, as expectativas eram distintas. Em outubro, a Genoa Capital projetava a vitória de Flávio Bolsonaro como cenário principal, estimando inflação entre 4% e 4,5% e Selic próxima a 11% para 2027, amparada por expectativas de valorização do real e melhora fiscal. Por outro lado, a Kinea já mantinha previsões mais conservadoras no início de outubro, apontando alta de 1% para o PIB de 2027, inflação de 4,7% e Selic de 12,5%.

Gestores ressaltam que a intensidade e a duração da turbulência atual dependerão diretamente das próximas medidas fiscais e da futura composição da equipe econômica do governo.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/o-pessimismo-sem-fim-da-faria-lima/

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