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Nayib Bukele e o envio de tropas ao Haiti geram incerteza na segurança

Mais de 2.000 soldados de El Salvador são enviados ao Haiti em meio à incerteza sobre sua missão e ao desaparecimento de quatro técnicos aeronáuticos.

Redação•01 de nov. de 2026, 17:30
Nayib Bukele e o envio de tropas ao Haiti geram incerteza na segurança
Imagem: site

Nayib Bukele e o envio de tropas ao Haiti geram incerteza na segurança

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El Salvador vem enviando soldados ao Haiti de forma discreta há mais de uma semana, revelando posteriormente um plano que prevê o envio de mais de 2.000 militares salvadorenhos à nação caribenha. A missão e o mandato dessas tropas, contudo, permanecem incertos. A chegada do contingente introduz um fator imprevisível em Porto Príncipe, cidade marcada por linhas de combate inconstantes entre dezenas de gangues, forças estrangeiras, grupos de vigilância comunitária e mercenários.

O volume de militares enviados é expressivo. O efetivo supera o tamanho de todo o Exército do Haiti, equivale a cerca de um quarto do efetivo urbano da Polícia Nacional Haitiana, empata com o contingente atual da Força Multinacional de Supressão de Gangues (GSF), apoiada pela ONU, e supera o número de prestadores de serviços militares privados da força-tarefa do governo haitiano. Até o momento, a estrutura de comando das forças salvadorenhas não foi definida, conforme apontou uma fonte próxima ao assunto.

Comunicados divulgados simultaneamente na noite de quarta-feira (28) por El Salvador e pelo Haiti trouxeram poucos esclarecimentos. Ambos citaram uma ligação entre o presidente Nayib Bukele e o líder interino haitiano, Alix Didier Fils-Aimé, discutindo o panorama geral da segurança e o caso de quatro técnicos aeronáuticos salvadorenhos desaparecidos.

O envio inicial de 100 integrantes das forças especiais de El Salvador ocorreu para buscas e resgate após o desaparecimento dos técnicos no início do mês, supostamente vítimas de uma emboscada de gangues enquanto trabalhavam em funções sem ligação com combate junto à GSF. Fontes locais indicam que é pouco provável que os quatro desaparecidos sejam encontrados dez dias após o início das buscas. Caso o objetivo não seja alcançado, as forças salvadorenhas podem buscar outras metas, possivelmente unindo-se a forças existentes para uma ofensiva prolongada contra as gangues como retaliação. No momento da elaboração da reportagem, os salvadorenhos não estavam alojados na base principal da GSF.

Nayib Bukele defende que possui credenciais únicas para lidar com a crise devido à política de "mão dura" contra o crime em seu próprio país, que restaurou a paz em El Salvador, embora críticos apontem prisões em massa e abusos. Em mensagem publicada no X na semana passada em crioulo haitiano, Bukele afirmou que ainda há tempo de evitar o conflito caso os quatro compatriotas sejam devolvidos vivos e ilesos.

Em Porto Príncipe, moradores lidam com sequestros frequentes, estupros e incêndios divulgados em redes sociais, crise que já forçou mais de um milhão de pessoas a abandonar suas casas, além da constatação nesta quinta-feira (29) de que as eleições presidenciais foram postergadas para o próximo ano. Especialistas alertam para os riscos de somar novos atores ao conflito. Bill O’Neill, especialista da ONU em direitos humanos para o Haiti, observou que a situação é volátil e pode se tornar mais violenta. Romain Le Coeur, especialista em Haiti da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, afirmou que a resposta de segurança é uma justaposição de atores multilaterais, nacionais e privados operando sob regras próprias, alertando que a falta de clareza sobre quem decide e a quem se presta contas pode aumentar a confusão.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-nayib-bukele-e-fator-imprevisivel-na-violencia-de-gangues-do-haiti/

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