Parlamentares da base governista e da oposição manifestaram-se nesta terça-feira (27) a respeito da decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o país rumo aos Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais ocorridas no domingo (25), que consagraram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Repercussão na Câmara e defesa da oposição
Durante a primeira sessão na Câmara dos Deputados após o pleito, integrantes da oposição defenderam a atitude do senador. O deputado Junio Amaral (PL-MG) parabenizou Flávio publicamente na tribuna, afirmando que a medida serviu para escapar de uma alegada perseguição do Judiciário, em especial por parte de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), citando nominalmente o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, o cenário político atual assemelha-se a uma ditadura e o ex-candidato possui maior capacidade de articulação política no exterior. A declaração foi corroborada pelo líder da oposição na Casa, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que enfatizou através da rede social X que o senador conta com respaldo total da bancada e que a ausência de condenações ou julgamentos em curso torna o cancelamento de seus passaportes uma ação arbitrária. Gilberto argumentou que a votação expressiva obtida nas urnas representa atuação democrática de oposição, classificando o episódio como proteção familiar perante o sistema.
Críticas e acusações governistas
Em contrapartida, parlamentares governistas atribuíram a saída do país ao receio de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e a eventuais condenações na mais alta corte. O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) declarou em plenário que a conduta evidencia culpa, questionando a segurança da defesa do senador e mencionando supostas irregularidades financeiras. No mesmo sentido, a deputada federal Tabata Amaral (SP) ironizou o episódio em vídeo publicado no Instagram, comparando a situação à de familiares que também teriam deixado o território nacional.
Desdobramentos judiciais e paradeiro
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar, na segunda-feira, a entrega dos passaportes de Flávio em um prazo de 24 horas. Como a determinação não foi cumprida até as 11h da terça-feira, a Polícia Federal procedeu com o cancelamento dos documentos. Inicialmente, um funcionário do governo dos Estados Unidos indicou à CNN que o destino seria a Flórida, embora posteriormente tenha ponderado que a localidade exata não estava clara. Uma fonte brasileira próxima à família declarou que o político temia uma prisão no Brasil, onde é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas — acusações negadas por ele. Especulações anteriores divulgadas pelo veículo argentino Infobae apontavam uma suposta passagem pela Argentina, mas o governo argentino informou em comunicado oficial que não há registros de entrada do senador no país.
