O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Oriente Médio e a região do Golfo não devem se transformar em um campo de batalha para a rivalidade entre grandes potências. A declaração foi feita durante encontro com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq al-Said, em Pequim.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, Xi destacou que o país está disposto a colaborar com nações árabes para alcançar uma paz duradoura. O governo chinês tem intensificado esforços diplomáticos para tentar reduzir as tensões associadas à guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, conflito que gerou interrupções no Estreito de Ormuz e elevou os custos globais de energia e transporte marítimo.
“A região do Oriente Médio e do Golfo não deve se tornar uma arena de rivalidade entre grandes potências e de conflitos geopolíticos. A paz e a estabilidade na região exigem esforços conjuntos de todas as partes para serem cultivadas e protegidas”, declarou Xi. O presidente acrescentou que a China se compromete com o fim do conflito e pretende contribuir com soluções para os dilemas de segurança locais.
Em uma declaração conjunta de 20 pontos, China e Omã concordaram que a navegação segura e normal precisa ser retomada no Estreito de Ormuz. Os dois países também pediram que Estados Unidos e Irã busquem alternativas pacíficas, retornem ao acordo firmado em junho para encerrar o conflito e retomem o diálogo. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores chinês anunciou que o enviado especial do país para o Oriente Médio, Zhai Jun, visitará Irã, Omã e Arábia Saudita neste mês.
Visita oficial e cooperação bilateral
O sultão Haitham chegou a Pequim no domingo para uma visita de dois dias. Trata-se da primeira viagem de um chefe de Estado de Omã à China desde o estabelecimento das relações diplomáticas bilaterais em 1978. Na chegada à pista do aeroporto, o líder omanense foi recebido pelo presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng.
Durante as conversas, Haitham afirmou que seu governo valoriza as posições da China sobre questões regionais. “Acreditamos que desenvolvimento e estabilidade estão intrinsecamente ligados”, disse, destacando a necessidade de um ambiente fundamentado na segurança, na paz, no respeito à soberania dos Estados, no cumprimento do direito internacional e na resolução pacífica de disputas.
O sultão também mencionou que Omã está aberto a firmar um acordo bilateral preferencial de comércio e investimentos com a China. A China atua como o principal parceiro comercial de Omã, país que exporta petróleo bruto e produtos energéticos para o mercado chinês e busca expandir a cooperação em cadeias de fornecimento de energia renovável e comércio digital.
A declaração conjunta apontou que os dois governos concordaram em aprofundar a cooperação prática em petróleo e gás natural, além de ampliar parcerias em energias renováveis — incluindo energia solar fotovoltaica, energia eólica, transmissão, transformação e armazenamento energético —, e reforçar a cooperação entre instituições financeiras e de investimento.
