NewsHub
Mundo

Midterms 2026: Desafios de Donald Trump e o que está em jogo

Midterms 2026 nos EUA trazem desafios para Donald Trump, baixa aprovação, controle do Congresso em jogo e impactos da inflação e da guerra com o Irã.

Redação•02 de nov. de 2026, 07:30
Midterms 2026: Desafios de Donald Trump e o que está em jogo
Imagem: site

Midterms 2026: Desafios de Donald Trump e o que está em jogo

Ouça esta matéria em voz alta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos eleitores na convenção do Partido Republicano para as Eleições de Meio de Mandato, no início de setembro, que fingissem que ele estava nas cédulas. Na mesma ocasião, ele prometeu US$ 5 mil (cerca de R$ 27 mil) para cada cidadão adulto americano caso o partido consiga manter a maioria na Câmara e no Senado.

O apelo ocorre em meio a um momento de baixa aprovação do governo. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou que 32% dos americanos aprovam a gestão de Trump. Além disso, levantamentos sobre as Midterms mostram vantagem dos democratas na preferência do eleitorado para o Congresso.

Entre as principais preocupações da população estão a inflação e o custo de vida, com destaque para os combustíveis. A situação econômica se soma à guerra com o Irã, iniciada em fevereiro e sem acordo de encerramento até o momento.

Principais desafios do presidente

Segundo o cientista político e pesquisador da Universidade Harvard, Hussein Kalout, um dos maiores desafios do segundo mandato é a dificuldade de cumprir promessas feitas à base, gerando desgaste no movimento MAGA (Make America Great Again). Para o especialista, apoiadores fervorosos acreditam que a causa não foi implementada como prometido e que o presidente agiu por interesses corporativos e de Israel no caso do Irã, e não pelo coletivo americano.

A insatisfação reflete-se na preferência para o Capitólio. Pesquisa da CNN de 21 de outubro indica que 49% dos entrevistados preferem candidatos democratas em seus distritos, ante 39% que optam pelos republicanos. Para Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group no Brasil, a perda de uma das Casas Legislativas reduziria a margem de Trump para avançar com sua agenda doméstica e ampliaria o espaço dos democratas para investigações e fiscalizações.

Cascione aponta que os impactos do conflito e dos preços reduziram a aprovação de Trump, indicando que ele já passou da fase de maior poder e influência no atual mandato, embora não seja um "pato manco". Por outro lado, o especialista observa que a experiência política acumulada e a proximidade com aliados fiéis permitiram a aprovação de projetos importantes no início da gestão, diminuindo a dependência do Legislativo.

Política externa e conflito com o Irã

De acordo com Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, interlocutores iranianos avaliam prolongar o conflito para explorar a sensibilidade de Trump em relação à duração da guerra. O esforço militar americano tem limites políticos, visto que bombardeios a eventuais alvos civis teriam custos elevados para Washington. Na Assembleia Geral da ONU, Trump declarou estar “tranquilo” por não ser candidato nas Midterms, mencionou poder “aniquilar” Teerã, mas também sinalizou abertura para negociações após o pleito.

Diante de limitações na agenda doméstica e de dificuldades nas relações com a China e o Oriente Médio, Cascione avalia que o presidente poderá concentrar esforços na América Latina por meio da doutrina 'Donroe'. Dentro do Partido Republicano, a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e o crescimento do Escudo das Américas são vistos como avanços na influência regional.

O que está em jogo nas Midterms

As Eleições de Meio de Mandato definem todos os 435 assentos da Câmara — com mandatos de dois anos — e 35 das 100 vagas do Senado, cujos mandatos duram seis anos. O pleito definirá se os republicanos mantêm o controle do Congresso para apoiar a agenda de Trump ou se os democratas assumem o poder legislativo para bloquear prioridades e abrir investigações.

Como a 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos impede que um presidente seja eleito mais de duas vezes, Trump não poderá concorrer em 2028. Contudo, seu futuro político e a influência na sucessão republicana dependem dos resultados econômicos e do engajamento da base MAGA nos próximos dois anos. Um desempenho desfavorável nas Midterms pode enfraquecer essa capacidade de influência.

Entre os nomes citados para a sucessão republicana em 2028 estão o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth. Do lado democrata, após a derrota de Kamala Harris para Trump em 2024 — sucedendo Joe Biden após sua desistência motivada por um debate desfavorável —, os nomes ventilados para o futuro incluem os governadores Gavin Newsom (Califórnia) e Josh Shapiro (Pensilvânia), além de Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque).

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/midterms-2026-principais-desafios-de-trump-e-o-que-esta-em-jogo-para-ele/

Compartilhar