O Partido Republicano tem direcionado dezenas de milhões de dólares para propagandas políticas que focam em crimes hediondos e ocorrências polêmicas, como parte da estratégia para as eleições de meio de mandato. O pleito está marcado para o dia 3 de novembro, e as votações antecipadas já ocorrem em vários estados norte-americanos. A abordagem, contudo, tem provocado forte rejeição, gerando críticas inclusive internamente.
Dados apontam que somente o Senate Leadership Fund, com foco em campanhas para o Senado dos Estados Unidos, investiu pelo menos US$ 17 milhões nesse formato de anúncio. As peças publicitárias mostram assassinatos e crimes violentos, sendo empregadas para alvejar oponentes políticos, majoritariamente democratas.
Repercussão e críticas de familiares
Um dos pontos mais criticados na estratégia refere-se ao fato de que as famílias das vítimas exibidas nos materiais não receberam qualquer aviso prévio sobre a veiculação. No Michigan, uma mãe sofreu uma crise de pânico ao deparar-se com o assassinato de sua filha de 5 anos, datado de 1994, sendo utilizado em uma campanha republicana contrária ao democrata Abdul El-Sayed. Em outra situação, o noivo de uma mulher assassinada em 1999 também manifestou surpresa ao ver a imagem da parceira em uma propaganda eleitoral sem autorização ou contato prévio.
O caso Amy Acton em Ohio
O episódio de maior repercussão envolveu Amy Acton, candidata democrata ao governo de Ohio, que aparece com 50% das intenções de voto contra 43% de seu adversário, Vivek Ramaswamy. Na disputa, Ramaswamy lançou um anúncio com a participação da própria mãe de Acton, na qual ela diz que a filha mente e pede aos eleitores que evitem votar nela.
A situação ganhou gravidade devido ao histórico familiar: Acton relatou publicamente ter sofrido abuso sexual do padrasto aos 12 anos, crime pelo qual ele foi formalmente acusado. Ela também afirmou que estava sem contato com a mãe há anos, pois a genitora teria escolhido ficar com o padrasto em vez de proteger os filhos.
A repercussão negativa gerou divisões. Republicanos saíram em defesa de Amy Acton, a exemplo de John Husted, candidato ao Senado por Ohio pelo mesmo partido, que afirmou publicamente que recusaria utilizar uma propaganda daquele tipo. No âmbito nacional, o vice-presidente JD Vance defendeu o comercial, alegando que a política é rigorosa e solicitando que os correligionários cessassem as reclamações para focar na vitória eleitoral — declaração que também atraiu críticas. Donald Trump, por sua vez, optou por minimizar o assunto e evitou se pronunciar sobre o anúncio.
Contexto das campanhas e pesquisas
Analistas apontam que a vantagem de Amy Acton nas pesquisas pode se ampliar devido à repercussão desfavorável da peça publicitária, embora novos levantamentos ainda não tenham sido publicados após a exibição do material. O cenário evidencia que a segurança pública e a criminalidade têm figurado como o eixo central da estratégia de comunicação republicana, enquanto o Partido Democrata tem priorizado temas econômicos.
