A infraestrutura ganhou destaque nas propostas de candidatos à Presidência no segundo turno, apresentando diferentes caminhos como maior participação do capital privado, continuidade dos investimentos públicos, concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e novos mecanismos de financiamento. Há uma convergência urgente no país sobre a necessidade de ampliar aportes e acelerar a modernização do setor.
No fim de 2025, o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciaram para 2026 uma carteira composta por oito leilões ferroviários e 13 rodoviários, prevendo quase R$ 290 bilhões em investimentos. Diante dessa escala, especialistas apontam que o questionamento para o próximo ciclo presidencial deve ir além do montante investido, focando em como será feita a execução.
Entre o anúncio de um recurso e a entrega efetiva de um ativo funcionando, como rodovias, ferrovias ou portos, há uma cadeia complexa que inclui estudos de viabilidade, projetos de engenharia, licenciamento ambiental, modelagem econômico-financeira, segurança regulatória, contratação, mobilização de mão de obra e fornecedores, e a construção. O principal obstáculo reside na coordenação e no nível de maturidade dessas etapas.
Novos fatores de complexidade também se somam ao cenário, a exemplo da implementação da reforma tributária e de alterações na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1. Tais mudanças podem pressionar custos, exigir revisões contratuais e alterar a organização operacional, impactando orçamentos, cronogramas e produtividade.
Segundo Marcos Borin, fundador e presidente da CTC Infra, o debate eleitoral precisa incorporar a maturidade dos projetos frente a esse ambiente em transformação. O autor destaca que recursos financeiros disponíveis não eliminam gargalos operacionais e que a infraestrutura opera com horizontes maiores do que os ciclos eleitorais, exigindo continuidade, previsibilidade e capacidade de priorização para transformar bilhões previstos em obras entregues à sociedade.
