O encarecimento da carne bovina e a inflação dos alimentos transformaram-se em temas centrais do debate político nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A situação ganhou destaque à medida que o produto atingiu preços recordes, gerando insatisfação entre os consumidores norte-americanos.
Na campanha no Mississipi, o candidato democrata ao Senado, Scott Colom, utilizou um trecho de entrevista da senadora republicana e candidata à reeleição, Cindy Hyde-Smith. Questionada sobre os altos valores da carne bovina, a senadora sugeriu que a população tem outras opções de proteína. A oposição respondeu com a produção de um vídeo em que eleitores afirmam preferir escolher outro senador.
Origem da crise e o menor rebanho bovino
O encarecimento do produto decorre de problemas estruturais no campo. Sucessivos episódios de estiagem, somados à alta nos preços dos grãos e da ração, levaram pecuaristas a reduzir a produção ou abandonar a atividade. Conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o rebanho bovino norte-americano encolheu e retornou aos patamares de 75 anos atrás, registrando o menor volume desde a década de 1950.
Apesar de o gado estar mais pesado e produtivo, a oferta interna caiu drasticamente. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostram que, em setembro, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,79 por libra, representando uma alta de 7,4% em relação a setembro do ano anterior. Em janeiro de 2025, no início da posse de Trump, o valor médio era de US$ 5,55, acumulando um aumento de 22,34% em menos de dois anos.
Medidas governamentais e insatisfação dos pecuaristas
Para tentar conter a inflação no varejo, o governo dos Estados Unidos recorreu ao mercado internacional. Em julho de 2026, ao estabelecer novas tarifas contra produtos brasileiros, a carne bovina foi deixada de fora. Posteriormente, no final de agosto, o republicano anunciou uma cota extra de 300 mil toneladas com taxa zero.
A medida provocou o descontentamento dos pecuaristas, que integram uma base eleitoral relevante para Trump. Associações de criadores apontaram a ausência de apoio, incentivos e políticas públicas voltadas para a recomposição do rebanho, o que motivou o anúncio de ações governamentais focadas em acelerar essa recuperação, priorizando pequenos e médios produtores.
Entretanto, a importação de carne estrangeira compromete as margens financeiras dos produtores locais em um momento crítico para o reinvestimento. Com o aumento da concorrência interna, o preço pago ao pecuarista recuou para cerca de US$ 113,14 por arroba, ante US$ 120 registrados no mesmo período do ano passado.
Devido ao longo ciclo da pecuária, que exige anos para recuperar o rebanho nacional, a restrição na oferta deve persistir, mantendo a carne bovina no centro das discussões políticas e econômicas além do período eleitoral.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/alta-no-preco-carne-bovina-virou-municao-eleitoral-nos-eua/
