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Análise aponta lições das eleições sobre desinformação, máquina pública e debates

Análise aponta lições do processo eleitoral envolvendo desinformação, uso da máquina pública, debates e a discussão sobre o fim da reeleição.

Redação•23 de out. de 2026, 07:30
Análise aponta lições das eleições sobre desinformação, máquina pública e debates
Imagem: site

Análise aponta lições das eleições sobre desinformação, máquina pública e debates

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As eleições funcionam como um raio X do sistema político e deixaram importantes lições abordadas em análise recente. O primeiro aspecto diz respeito à informação. A Justiça Eleitoral recebeu crédito por conter a desinformação e o uso de inteligência artificial no primeiro turno em nível inferior ao de 2022. No entanto, no segundo turno, com a disputa empatada nas pesquisas, houve um forte fluxo de conteúdo nas redes sociais associado ao chamado “Exército do Lula” e às tropas de Flávio, organizados com lógica militar, o que dificultou o controle por parte do tribunal.

O segundo ponto aborda o uso da máquina pública. O Gastômetro do Estadão registrou 354 bilhões de reais em medidas lançadas ou ampliadas no ano eleitoral, incluindo um reajuste de 15% do Bolsa Família a duas semanas do primeiro turno. A situação agrava o quadro fiscal e foi definida por Roseann Kennedy como “uma espécie de compra de votos institucionalizada”. O texto aponta a ironia histórica de o TSE ter cassado em 2004 um senador acusado de comprar dois votos por 26 reais cada, enquanto medidas multibilionárias em escala nacional recebem o nome de programa social.

A terceira lição envolve os debates, que, por não serem obrigatórios, terminaram o primeiro turno sem confronto direto entre os líderes. O encontro da Band, realizado no dia 18, registrou episódios de forte embate com marqueteiros, aliados gritando, orientações de Pablo Marçal a candidato e reações da primeira-dama na plateia. Regras mais rígidas no debate da Globo, marcado para o dia 23, foram apontadas como tentativa de conter excessos.

A guerra jurídica também transformou o pleito em litígio. A campanha de Flávio moveu sete ações pedindo a cassação da chapa de Lula, enquanto a campanha petista apresentou pedidos contra a chapa adversária, incluindo acusações de manipulação algorítmica contra a Meta. Além disso, o pleito registrou abstenção de 21,08%, a maior desde 1998, somada a quase 6 milhões de votos brancos e nulos. O mapa político mostrou o Sul, Sudeste e Centro-Oeste de um lado e o Nordeste de outro, apontando um cenário de mandato sem base nacional diante de um Congresso onde o PL terá as maiores bancadas desde 1988.

Por fim, a análise critica a regra da reeleição, instituída pela emenda de junho de 1997 e criticada inclusive por Fernando Henrique, seu primeiro beneficiário. O texto defende que acabar com a reeleição deveria ser a primeira reforma do próximo mandato, sugerindo que, até lá, o presidente candidato deveria licenciar-se e deixar o governo ao vice, sem uso de avião da FAB, anúncios do Planalto ou vídeos gravados com estrutura pública.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/murillo-de-aragao/as-amargas-licoes-das-eleicoes/

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