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Desafios da economia em 2027 marcam propostas de Flávio e Lula

Economia em 2027 exigirá ajustes fiscais e combate ao endividamento, desafios que marcam as propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para o próximo governo.

Redação•23 de out. de 2026, 07:30
Desafios da economia em 2027 marcam propostas de Flávio e Lula
Imagem: site

Desafios da economia em 2027 marcam propostas de Flávio e Lula

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A economia brasileira desponta como um desafio central para o próximo governo, seja ele liderado por Flávio Bolsonaro (PL) ou por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quem assumir o cargo em 5 de janeiro de 2027 precisará responder às cobranças do mercado financeiro por ajustes fiscais e à insatisfação popular com o custo de vida e o endividamento recorde, em um cenário de menor crescimento econômico previsto.

De acordo com especialistas consultados pela BBC News Brasil, nenhum dos dois candidatos apresentou planos definitivos para os problemas, cujas respostas concretas devem surgir apenas no período pós-eleitoral, após a definição da nova equipe econômica.

Desequilíbrio das contas públicas

O primeiro grande obstáculo é a dívida pública, que atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. O patamar elevado da dívida pública, sem perspectivas claras de estabilização, dificulta a queda da taxa de juros pelo Banco Central, encarecendo empréstimos e investimentos.

Flávio Bolsonaro tem adotado sinais ambíguos sobre a questão. Por um lado, aliados prometem cortes de gastos entre 1,5% e 2% do PIB nos primeiros 18 meses de governo (o equivalente a R$ 190 bilhões a R$ 250 bilhões) e a aplicação de um ajuste focado em ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas, supersalários e combate à corrupção. Por outro lado, o senador assumiu compromissos de manter o reajuste real do salário mínimo, preservar pisos constitucionais de Saúde e Educação e não desvincular aposentadorias.

Por sua vez, Lula gerou despesas fiscais próximas de R$ 200 bilhões até 2030 por meio de seu pacote eleitoral, calculado pela Warren Investimentos, antes da proposta de tarifa zero nos transportes aos fins de semana. O presidente aposta no crescimento econômico e na consequente ampliação da arrecadação para reduzir o endividamento, sem se comprometer com cortes rígidos de despesas.

Economia em desaceleração

O segundo desafio estrutural é o ritmo reduzido da atividade econômica esperado para 2027. Enquanto o boletim Focus projeta alta de 1,32% para o PIB do próximo ano, analistas avaliam que o resultado pode ficar próximo de 1%. A perda de fôlego reflete a redução de estímulos fiscais, juros ainda elevados e uma retração prevista no setor agropecuário devido a impactos climáticos severos do El Niño.

Para impulsionar o crescimento nos quatro anos de mandato, o plano de Flávio Bolsonaro inclui dobrar o ritmo médio do PIB para 4% ao ano por meio de facilitação de licenciamento ambiental, desestatizações, concessões, redução de impostos, flexibilização trabalhista e valorização de minerais críticos. Já Lula aposta na indução estatal com programas como a Nova Indústria Brasil (NIB), o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica (PTE), além de apoiar a demanda interna e o crédito para micro e pequenas empresas.

Custo de vida e endividamento

O terceiro ponto crítico envolve a reversão do descontentamento popular causado pelo encarecimento do custo de vida e pelo endividamento recorde, apesar de o poder de compra do salário mínimo apresentar leve alta em relação a 2022. Em setembro, o percentual de famílias endividadas recuou para 81,7%, após uma sequência de recordes apontada pela CNC.

Para conter o custo de vida, Lula propõe a valorização do salário mínimo, o controle da inflação, a ampliação do Plano Safra da Agricultura Familiar, o barateamento da energia elétrica e o retorno da Petrobras ao setor de combustíveis. No endividamento, o petista lançou medidas como o Desenrola 3.0, que visa limpar até R$ 150 bilhões em dívidas até meados de 2028, perdão de dívidas de MEIs e a proibição das bets.

Flávio Bolsonaro propõe a redução de impostos sobre o consumo, simplificação na conta de luz e criação de corredores logísticos para baratear alimentos. Em relação ao endividamento, o candidato do PL sugeriu o uso da Caixa Econômica Federal para recomprar dívidas e propôs carências de seis meses para famílias e de um ano para empresas iniciarem pagamentos, medida que gerou forte repercussão negativa entre agentes do mercado financeiro.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/23/os-sinais-vermelhos-da-economia-em-2027-e-o-que-flavio-e-lula-propoem-para-eles.ghtml

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