Começa na segunda-feira, dia 26, o evento legislativo pós-eleição marcado pela movimentação de deputados e senadores para auxiliar o vencedor da disputa presidencial. O fenômeno ocorre a cada quatro anos e se estende até o encerramento da fase inicial entre o novo governo e o eleitorado. Seja Lula ou Flávio Bolsonaro, o presidente eleito contará com apoio no Parlamento muito acima da bancada de aliados, que atualmente representa dois em cada dez votos na Câmara e no Senado.
Esse cenário decorre da desigualdade regional, na qual parlamentares de municípios com até 20.000 habitantes ou de áreas como o Nordeste encontram dificuldades para atuar na oposição. Nessas localidades, o volume de dependentes de programas federais de transferência de renda supera o de trabalhadores com carteira assinada. A dependência de recursos federais também se destaca nas regiões Norte e Centro-Oeste, somando 68 milhões de eleitores nessas três regiões, número superior ao do Sudeste.
Uma demonstração dessa dependência ocorreu na carta enviada por Lula a 5.569 prefeitos e 58.000 vereadores do país, divulgada 96 horas antes do segundo turno presidencial. O texto pontuou o repasse de verbas para serviços de saúde, educação, assistência social e habitação, além da sustentação das folhas de pagamento municipais.
Em 2023, nos primeiros noventa dias do mandato de Lula, o partido Progressistas (PP) avaliava os rumos a seguir após a derrota de Jair Bolsonaro, a quem havia apoiado nos últimos dois anos de governo. O PP tem raízes na Aliança Renovadora Nacional (Arena), apoiou presidentes nas últimas três décadas e integrou administrações do Partido dos Trabalhadores, período em que enfrentou investigações do mensalão e da Petrobras, registrando o maior número de políticos investigados, totalizando 18.
Durante reunião para discutir os objetivos do PP no governo Lula, o senador Ciro Nogueira sugeriu que a legenda migrasse para a oposição. A proposta gerou questionamentos internos, culminando em uma intervenção do deputado Luiz Eduardo, conhecido como "Lula", de 22 anos, que ponderou sobre a viabilidade da postura oposicionista para o grupo.
Recentemente, o bloco do Centrão passou por reconfigurações com o fortalecimento de facções da extrema direita ligadas a Jair Bolsonaro, agrupadas no Partido Liberal (PL) e no partido Novo. O grupo dobrou de tamanho no Senado e obteve 10% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral que antes passavam pelo Centrão.
Dividida no Congresso, a direita apresenta um Centrão que detém 49% dos votos na Câmara e 40% no Senado, tornando a negociação com o Executivo inevitável para a aprovação de projetos.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/atracao-fatal-2/
