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Emerson Fittipaldi avalia o momento da Fórmula 1 e a ascensão de Kimi Antonelli

Aos 79 anos, Emerson Fittipaldi analisa a trajetória de Kimi Antonelli na Fórmula 1, relembra sua própria carreira nas pistas e discute a evolução tecnológica do esporte.

Redação•06 de nov. de 2026, 08:30
Emerson Fittipaldi avalia o momento da Fórmula 1 e a ascensão de Kimi Antonelli
Imagem: site

Emerson Fittipaldi avalia o momento da Fórmula 1 e a ascensão de Kimi Antonelli

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A uma semana do Grande Prêmio do Brasil, marcado para o próximo dia 8 em Interlagos, a Fórmula 1 viveu um momento de destaque com a conquista do título mundial de 2026 por Kimi Antonelli, piloto da Mercedes, na Cidade do México. Aos 20 anos, o italiano tornou-se o mais jovem campeão da história da categoria e o primeiro de seu país a erguer o troféu desde Alberto Ascari em 1953, pela Ferrari.

A precocidade do título de Antonelli evoca a trajetória de Emerson Fittipaldi, que conquistou seu primeiro campeonato mundial em 1972 aos 25 anos e o bicampeonato em 1974. Aos 79 anos e com uma carreira marcante também na Indy e na criação da escuderia Copersucar nos anos 1970, Fittipaldi avalia que a juventude atual traz audácia para as pistas. Segundo ele, o jovem piloto assemelha-se a atletas de alto rendimento de modalidades como tênis e golfe por iniciar a prática na infância, além de contar com a segurança proporcionada pelos carros e autódromos modernos. Por outro lado, aponta que o automobilismo atual impõe limites rígidos, uma vez que o impacto financeiro de um acidente é elevado.

Questionado sobre comparações entre o estilo de Antonelli e o de Ayrton Senna, Fittipaldi pondera que cada piloto é único. Afirma que Senna guiava frequentemente além do limite, enquanto Antonelli destaca-se pela constância e precisão no limite do carro, comparando a própria busca por exatidão à de ídolos como Juan Manuel Fangio e Chico Landi.

Sobre o período em que competiu na Fórmula 1 — época em que a média era de duas mortes por temporada entre os pilotos —, Fittipaldi relata que o perigo constante exigia focar na diversão e no esporte, sem espaço para pensar na falta de segurança. Ele lembra da morte de Jochen Rindt em Monza, em 1970, ocorrida três horas após tomarem café da manhã, o que levou Colin Chapman a promovê-lo a piloto principal da Lotus. No total, perdeu 37 companheiros de pista entre treinos e corridas da estreia na F1 até a aposentadoria na Indy.

A respeito de Colin Chapman, fundador da Lotus e seu mentor por cinco anos, Fittipaldi destaca a genialidade intuitiva do dirigente no acerto de carros leves, engenhosos e frágeis, em uma época sem telemetria ou eletrônica. Recorda também a icônica Lotus preta com filetes dourados, patrocinada pela John Player Special, cujo design ousado gerou brincadeiras na época por lembrar um caixão.

Fittipaldi afirma não se arrepender de ter fundado a equipe Copersucar-Fittipaldi ao lado do irmão Wilson no auge da carreira. Classifica o projeto como um empreendimento espetacular e incompreendido que lhe custou cinco anos de atuação como piloto, mas resultou em grande aprendizado e contribuição para o país. Revela ainda ter recusado convites da Ferrari em duas ocasiões: em 1971, para renovar com a Lotus, e em 1976, na noite do acidente de Niki Lauda em Nürburgring, quando foi chamado por Enzo Ferrari para substituir o austríaco, convite que recusou por chocar-se com a gravidade da situação. Ele elogiou o retorno histórico de Lauda 42 dias após o acidente.

Sobre a gestão atual da Fórmula 1 sob a administração da americana Liberty Media e a liderança do CEO Stefano Domenicali, Fittipaldi elogia o trabalho de marketing que expandiu o alcance global da categoria. No aspecto técnico, defende a redução da pressão aerodinâmica dos carros no futuro para permitir que os pilotos andem mais próximos sem desgastar excessivamente os pneus. Ele também aponta que, enquanto sua época exigia sensibilidade mecânica para orientar engenheiros, a F1 atual demanda o processamento de um enorme volume de dados analíticos.

Com expectativas voltadas para a representação brasileira no grid com Gabriel Bortoleto (na Audi/Sauber) e Rafael Câmara (ligado à Haas e à Academia Ferrari), Fittipaldi comenta que a formação de pilotos exige investimentos elevados desde o kart. Ele acompanha o desenvolvimento dos netos Pietro e Enzo, além do filho Emerson Jr. (Emmo), de 19 anos. Por fim, relembra amizades marcantes proporcionadas pelo automobilismo, como a convivência com o músico George Harrison e um encontro com o pugilista Mike Tyson, que revelou ser fã de Éder Jofre, e afirma que ainda busca a emoção da velocidade em pistas seguras, como no Goodwood Revival, desaconselhando a prática em estradas públicas.

Fonte: https://veja.abril.com.br/paginas-amarelas/emerson-fittipaldi-o-jovem-e-audaz/

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