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Eleições em Israel e o impacto nas negociações de paz com o Líbano

A votação para o Parlamento de Israel em 27 de outubro coloca em pauta o futuro do conflito contra o Hezbollah e as negociações de paz no Líbano.

Redação•22 de out. de 2026, 08:30
Eleições em Israel e o impacto nas negociações de paz com o Líbano
Imagem: site

Eleições em Israel e o impacto nas negociações de paz com o Líbano

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Os conflitos no Oriente Médio tornaram-se o ponto central da campanha eleitoral para o Knesset, o Parlamento de Israel, cuja votação está marcada para o dia 27 de outubro e definirá o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A disputa envolve a tentativa de controle das narrativas sobre os confrontos por parte do governo e da oposição. Enquanto a gestão de Netanyahu sustenta que as intervenções militares foram essenciais e garantiram a segurança do país, os opositores argumentam que as metas estabelecidas não foram alcançadas e que as ações trouxeram prejuízos para a nação.

Entre os conflitos em aberto está a frente no Líbano, contra o Hezbollah. A fase mais intensa das hostilidades foi atenuada por um cessar-fogo intermediado pelos Estados Unidos, embora não tenha sido formalizado um acordo definitivo para encerrar os combates. As exigências de Israel incluem o desarmamento completo do Hezbollah. Em contrapartida, o grupo libanês recusa-se a depor as armas e impõe como condição a retirada total das forças israelenses do território libanês, onde tropas avançaram cerca de 10 quilômetros após ataques aéreos que causaram milhares de mortes.

Especialistas avaliam os reflexos do pleito israelense sobre o futuro das conversas de paz. Samuel Feldberg, pesquisador da Universidade de Tel Aviv e doutor em Ciências Políticas pela USP, aponta que a política externa do país não deve sofrer alterações drásticas mesmo em caso de vitória da oposição. Segundo o cientista político, os principais oponentes de Netanyahu possuem histórico militar e ligação com a segurança, a exemplo de Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e cotado para assumir o cargo de premiê, além de Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa. Feldberg pontua que as negociações com o governo libanês e a pressão sobre o Hezbollah devem persistir independentemente de quem assuma o governo.

Karina Calandrin, professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, corrobora que a sociedade israelense continuará exigindo o desarmamento do grupo libanês para afastar novas ameaças. Para a professora, embora a eleição possa alterar os métodos e a disposição para o diálogo, permanece o consenso em Israel de que o Hezbollah não pode reconstruir sua capacidade militar no sul do Líbano nos moldes anteriores.

Um levantamento realizado em junho pela Universidade Hebraica de Jerusalém, em parceria com o Instituto Agam, apontou que apenas 12,2% dos participantes acreditavam que Israel atingiu a maioria das metas estipuladas na ideia de "vitória total", conceito que englobava a eliminação da ameaça do Hezbollah. Outros 61,3% afirmaram que os objetivos não foram alcançados de forma alguma, enquanto 26,5% avaliaram que apenas algumas metas foram atingidas.

João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel, avalia que um eventual novo governo israelense poderia buscar entendimentos com as autoridades libanesas para desarmar o grupo, o que poderia culminar em um acordo de paz. Contudo, o especialista ressalta que a tratativa seria complexa e que o Hezbollah adotaria medidas para dificultar o processo.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/como-a-eleicao-em-israel-impacta-a-negociacao-pelo-fim-da-guerra-no-libano/

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