NewsHub
Economia

Exposição estrangeira no Brasil soma quase R$ 900 bilhões em títulos

Levantamento do Tesouro aponta que investidores estrangeiros possuem R$ 886,3 bilhões em títulos da dívida pública federal interna.

Redação•11 de out. de 2026, 11:45
Exposição estrangeira no Brasil soma quase R$ 900 bilhões em títulos
Imagem: site

Exposição estrangeira no Brasil soma quase R$ 900 bilhões em títulos

Ouça esta matéria em voz alta

Dados recentes do Tesouro Nacional apontam que investidores não residentes mantêm 886,3 bilhões de reais aplicados em títulos da dívida pública federal interna brasileira, o equivalente a 9,91% do estoque. O montante representa um aumento em relação a julho, quando o volume registrado era de 879,07 bilhões de reais, correspondendo a 9,82%. Os números demonstram que, em vez de fuga no período recente, houve ampliação da participação estrangeira.

O valor não mensura o tamanho do yen carry trade no país, visto que a maior parte não possui relação direta com operações lastreadas na moeda japonesa. Contudo, o montante ilustra a dimensão de uma das vias pelas quais transformações no custo do dinheiro no exterior impactam o Brasil. Outra via de transmissão ocorre por meio do câmbio.

Conforme levantamento trienal do Banco de Compensações Internacionais (BIS), negociações cambiais de balcão envolvendo o real movimentavam cerca de 90 bilhões de dólares por dia em abril de 2025. Desse total, aproximadamente 61 bilhões de dólares correspondiam a operações a termo (outright forwards), enquanto o mercado à vista somava 15 bilhões de dólares. Desse modo, cerca de dois terços desse mercado global com o real ocorriam em contratos de liquidação futura, espaço propício para estratégias de carry, proteção cambial e alavancagem sem rastreio direto de transferências de recursos do Japão.

Adicionalmente, o mercado internacional de derivativos de juros denominados em real registrou forte expansão, com giro médio diário saltando de menos de 2 bilhões de dólares em 2022 para 9,2 bilhões de dólares em abril de 2025, conforme o BIS.

Comportamento de fundos e liquidez do mercado brasileiro

Em setembro, dados monitorados pela CFTC americana indicaram que fundos alavancados realizaram uma virada equivalente a mais de 72 mil contratos em iene no período de uma semana, reduzindo em cerca de 40% sua posição líquida comprada em real em duas semanas. Um padrão semelhante ocorreu em agosto de 2024, durante o choque do yen carry trade, quando posições vendidas em iene recuaram enquanto as apostas contra a moeda brasileira subiram.

O mercado nacional atrai grandes investidores globais tanto para a assunção quanto para o desfazimento de riscos devido à sua liquidez. Conforme apontado pelo Tesouro Nacional ao Radar Econômico, a fatia de não residentes na dívida pública mantém-se estável próximo de 10% desde 2020. O Tesouro também destacou como fatores de proteção a base doméstica de investidores e uma reserva de liquidez de 1,208 trilhão de reais em agosto, montante suficiente para cobrir cerca de 7,2 meses de vencimentos.

Cenário doméstico e perspectiva de gestores

Fatores internos também influenciam os ativos. O chamado Flávio Trade gerou valorização histórica após o primeiro turno da eleição presidencial. Em 5 de outubro, o real valorizou-se mais de 4% frente ao dólar — o maior ganho diário em quatro anos —, enquanto o índice da Bolsa avançou 7,7%, alcançando novo recorde.

Grandes gestores mantêm avaliações favoráveis sobre o país. Grégoire Pesques, diretor de investimentos de estratégias de renda fixa da Amundi, avalia que os juros brasileiros acima de 14% nominais e próximos de 9% reais preservam uma relação atraente entre retorno e risco. Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da PIMCO, recomenda a observação conjunta da alta de juros americanos, do risco cambial e do prêmio de títulos locais, ressaltando que o caso de investimento em emergentes permanece válido.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/olho-no-japao-quase-r-900-bilhoes-mostram-o-tamanho-da-exposicao-estrangeira-no-brasil/

Compartilhar