Em entrevista concedida ao jornal The New York Times e repercutida no programa Ponto de Vista, da revista VEJA, nesta sexta-feira (6), o senador Flávio Bolsonaro declarou que guardará “para o túmulo” detalhes a respeito de sua saída do Brasil.
De acordo com a apuração veiculada pelo periódico norte-americano, o parlamentar teria contado com o apoio de um oficial dos Estados Unidos para deixar o território brasileiro. Por outro lado, Flávio negou qualquer auxílio governamental e evitou esclarecer as circunstâncias da viagem, utilizando a expressão de que o assunto irá com ele para o túmulo.
O candidato derrotado nas eleições presidenciais aterrissou em Miami no dia 28 de outubro, três dias após o encerramento do segundo turno. Durante o deslocamento, o senador também passou pelo Equador e pela Argentina. A reportagem do New York Times apontou que, em solo argentino, um dos principais assessores do presidente Javier Milei o encontrou em um aeroporto.
Segundo o relato, a decisão de abandonar o país ocorreu de maneira espontânea, definida em conjunto com sua esposa, após ele concluir que poderia enfrentar um desfecho semelhante ao de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado a 27 anos de prisão sob a acusação de tentativa de golpe de Estado. O senador relatou que a resolução foi tomada na manhã posterior à derrota eleitoral, logo após visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Ainda durante a entrevista, Flávio Bolsonaro declarou que, caso ocorra uma nova eleição no Brasil, ele pretenderia concorrer novamente.
Durante a análise do episódio no programa da VEJA, a apresentadora Laísa Dall’Agnol apontou o contraste entre a apuração realizada pelo jornal dos EUA e a versão apresentada pelo senador. Já o editor Ricardo Ferraz ironizou os impactos políticos da estratégia adotada pelo parlamentar. Para o jornalista, o mistério em torno de sua saída do país não contribui para solucionar a dificuldade de Flávio em manter sua relevância e influência no cenário político nacional, ponderando que a questão fundamental reside na real capacidade do senador de interferir nos debates do país em vez de preservar segredos.
