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Governo e oposição da Venezuela evitam confronto com Donald Trump

Presidente interina Delcy Rodríguez e a opositora María Corina Machado evitam embates com Donald Trump em meio à nova dinâmica política na Venezuela.

Redação•25 de out. de 2026, 13:30
Governo e oposição da Venezuela evitam confronto com Donald Trump
Imagem: site

Governo e oposição da Venezuela evitam confronto com Donald Trump

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Quase dez meses após a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em um bunker em Caracas, tanto a presidente interina, Delcy Rodríguez, quanto a principal líder da oposição, María Corina Machado, evitam um confronto aberto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ambas mantêm cautela diante da política norte-americana para a Venezuela e da situação dos migrantes.

Após a operação militar contra Maduro, o líder dos EUA fez diversas declarações, afirmando no mesmo dia que governava a Venezuela e que "pertence o espólio" aos vencedores, além de alegar que o país não está pronto para eleições. Com exceção do período logo após o desaparecimento de Maduro — quando Rodríguez repudiou a ação como "agressão militar" e prometeu que o país não seria colônia —, a presidente interina tem ignorado as falas de Trump, rompendo com a postura historicamente anti-imperialista do chavismo.

Delcy Rodríguez sequer utilizou a Assembleia Geral da ONU para criticar Washington, diferentemente de discursos passados de líderes chavistas, como o falecido Hugo Chávez. A presidente interina busca estreitar laços com os Estados Unidos para obter acesso a investimentos, cooperação internacional e impulsionar a recuperação econômica. Ela passou a alinhar seu discurso ao plano de três fases do secretário de Estado americano, Marco Rubio, focando na reconstrução institucional e em uma transição para a democracia plena, sem reagir a novas acusações contra Maduro e Flores. Além disso, concedeu a Washington acesso a reservas de petróleo e colaboração em segurança.

Por outro lado, María Corina Machado historicamente mantém laços com Washington. A opositora busca retornar à Venezuela para evitar a perda de influência, já que seu movimento ficou de fora da mesa de diálogo. Ela aposta no plano de transição de três fases de Rubio para alcançar uma mudança política, embora mantenha a pressão por eleições, sugerindo o pleito para 24 de julho de 2027, data do nascimento de Simón Bolívar.

Apesar de o cenário anterior contar com condenações conjuntas a envio de venezuelanos a prisões de segurança máxima, nem Rodríguez nem Machado criticaram a política migratória de Trump ou casos recentes de detenções e deportações de imigrantes nos Estados Unidos. Entre os episódios de destaque estão o de Wilber Rafael Garcés Pérez, baleado em Austin após ação do ICE e com deportação suspensa temporariamente por um juiz federal, e o de Luis David Niño-Moncada e Yorlenys Zambrano-Contreras, feridos em Portland e associados pelo Departamento de Segurança Interna ao Tren de Aragua, acusações negadas por seus advogados.

Enquanto Rodríguez evita confrontos e foca na governabilidade e na economia, Machado concentra seus esforços em retornar à Venezuela. Em 5 de outubro, a líder opositora publicou um artigo no New York Post defendendo que os venezuelanos no exterior só voltarão com um caminho democrático claro. Em lados opostos, ambas refletem a forte influência que os Estados Unidos passaram a exercer na política venezuelana.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/como-trump-virou-ponto-que-nem-governo-nem-oposicao-da-venezuela-confrontam/

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