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Governo Trump encerra tradição centenária na fronteira entre EUA e Canadá

A administração Trump exigiu a criação de uma entrada separada na histórica biblioteca Haskell Free Library, encerrando uma tradição centenária de livre acesso transfronteiriço.

Redação•25 de out. de 2026, 13:30
Governo Trump encerra tradição centenária na fronteira entre EUA e Canadá
Imagem: site

Governo Trump encerra tradição centenária na fronteira entre EUA e Canadá

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A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou fim a uma tradição centenária compartilhada entre Estados Unidos e Canadá na cidade fronteiriça de Derby Line, lar de cerca de 700 habitantes. A medida impactou diretamente a histórica Haskell Free Library and Opera House, inaugurada em 1901 e construída propositalmente sobre a linha divisória entre os dois países, demarcada por uma linha preta no piso.

Por mais de um século, cidadãos canadenses puderam utilizar a entrada principal da instituição — localizada no lado estadunidense — sem a necessidade de passar por um posto de controle fronteiriço oficial. No ano passado, contudo, a administração Trump exigiu a construção de uma entrada separada voltada para o lado canadense. A obra, concluída em junho, custou cerca de 650 mil dólares, valor que incluiu mais de 300 mil dólares arrecadados por meio de doações públicas após uma campanha organizada pela administração da biblioteca.

Mudanças na rotina e impacto logístico

O processo que resultou na alteração começou no início do segundo mandato de Donald Trump. Sylvie Boudreau, então presidente do conselho administrativo da biblioteca, relatou ter sido convocada para uma reunião com oficiais do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, da Patrulha de Fronteira e da Polícia Montada Real do Canadá. Na ocasião, foi informada de que a calçada que permitia o acesso livre dos canadenses seria fechada a partir de 1º de outubro de 2025. Com a mudança, visitantes canadenses passaram a precisar dar a volta até um posto de controle oficial para entrar nos EUA antes de acessar o local.

A exigência gerou críticas e indignação entre moradores locais. Janice Beadle, residente da região há 72 anos, classificou as mudanças como motivo de indignação. Sharon Campbell, cuja residência também é cortada pela fronteira, definiu a exigência como um absurdo e questionou se o próximo passo seria colocar um agente da Patrulha de Fronteira dentro da biblioteca.

Autoridades do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA justificaram a decisão com base em questões de segurança, afirmando em comunicado que traficantes de drogas e contrabandistas estavam explorando o arranjo anterior para atividades ilegais. O Departamento de Justiça registrou casos anteriores nas instalações, como o contrabando de armas de fogo em 2011 e a tentativa de entrada ilegal de uma cidadã chilena em junho de 2026.

Apesar dos desafios logísticos impostos pela vigilância rigorosa da Patrulha de Fronteira dos EUA e da RCMP, a biblioteca continua a receber visitantes que celebram a singularidade arquitetônica do edifício, posicionando-se sobre a linha divisória com um pé em cada país.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/governo-trump-poe-fim-a-uma-tradicao-centenaria-entre-eua-e-canada/

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